Desde os preparativos da noite até à altura de retomar a rotina, uma especialista dá cinco dicas que podem ajudar nesta altura do ano.
Quando há filhos, principalmente pequenos, as passagens de ano já não podem ser como eram. As discotecas ficam fora dos planos, o álcool é mais moderado e os adultos têm de estar com atenção às correrias pela casa ou no restaurante.
Há uma série de fatores que tornam a passagem de ano com os miúdos diferente — o que não quer dizer que seja pior. É preciso apenas ter alguns cuidados. Falámos com a psicóloga infantil Marta Martins Leite, que deu algumas dicas de como os pais devem agir no antes, durante e pós passagem de ano.
A chave de uma noite tranquila é preparar tudo com antecedência. Pode ser difícil, até porque este ano a noite de 31 calha a uma terça-feira e o dia de trabalho não dá tempo para muito, mas o fim de semana pode ser o ideal para planear as refeições, fazer as compras, arranjar a casa e escolher o look dos adultos e das crianças.
Mas há algo de que não se deve esquecer: “As crianças devem ser parte integrante dos preparativos, e como tal, devem estar a par do programa previsto assim como dos convidados ou família que estarão presentes, evitando assim que eles próprios sejam apanhados de surpresa, prevenindo a sua desestabilização”, refere à MAGG a especialista.
Além deste, há mais passos que pode seguir — e o primeiro está relacionado com o conselho dado pela especialista.
1.º passo: incluir as crianças
É meio caminho andado para que não se sintam num “mundo de adultos”, mas sim integradas nas tarefas. E que tarefas são estas? Podem ir desde a preparação da mesa do jantar, passando pela escolha das músicas para tocar durante a noite, ajudá-los a arranjarem-se fazendo um penteado ou colocando perfume para se sentirem mais adultos, e ainda encarregá-los da tarefa de serem os fotógrafos do fim de ano.
Há ainda outra dica que pode fazer sucesso entre as crianças: “Gelatina que brilha no escuro. Só vai precisar de uma lâmpada de luz ultravioleta. O segredo é enquanto faz a gelatina: substitui metade da água a ferver por água tónica quente”, explica a psicóloga Marta Martins Leite
Quando ao momento de viragem do ano, há uma sugestão que já muitas famílias usam. O famoso champanhe para crianças (sem álcool), que faz com que se sintam integrados no momento do brinde. Além disso, passar-lhes as 12 passas (ou uvas ou framboesas) para as mãos também é uma oportunidade para partilharem aquele momento com os adultos, que deve ser previamente explicado. Mas já lá vamos.
2.º passo: preparar eventuais momentos de agitação
É natural que, depois de algumas horas, as crianças possam ficar mais agitadas ou impacientes por mais inclusivo que seja o ambiente. A solução?
“Para os mais pequeninos pode ter à mão frasquinhos de bolas de sabão, desenhos para colorir ou até mesmo reunir um grupo de imagens simples e uma caixa de legos, para replicarem cada uma das imagens. Pode também reunir um conjunto de DVD ou filmes da Netflix, e socorrer-se dos mesmos para atenuar momentos mais agitados”, sugere a especialista.
Não podíamos deixar de referir que as tecnologias, como os tablets e telemóveis, são também uma opção para acalmar um momento crítico. Contudo, aqui o papel dos pais na integração pode ser determinante: “Ao invés de simplesmente colocar os aparelhos nas mãos das crianças, experimente aproveitar o tempo para conversar e saber mais sobre as aplicações e jogos preferidos da criança”.
Esta não é uma dica exclusiva para a noite de fim de ano, precisamente porque promove a interação entre pais e filhos de uma forma mais didática.
3.º passo: as crianças também devem traçar objetivos para o novo ano
“Fazer resoluções com as crianças é uma maneira de as ensinar a traçar objetivos. É uma forma de lhes mostrar que não somos fruto das circunstâncias e que podemos preparar o nosso futuro”, explica à MAGG a psicóloga Marta Martins Leite.
Além de traçar os objetivos em conjunto, deve também explicar as razões de o fazermos e como fazemos. Pode exemplificar de forma simples: se um dos seus desejos é conseguir fechar um acordo importante na sua empresa, para os mais pequenos pode ser ter uma nota acima de 90% na escola.
Todos os desejos podem ser traçados em família, escritos em pequenos papéis e colocados num frasco que pode chamar de “frasco das resoluções”. Como é que funciona? “A meio do ano, ou mesmo um ano depois, abrem-no e verificam o que cada um conseguiu melhorar em si mesmo. É uma forma de fomentar o compromisso consigo mesmos, com a família e com a realidade com o mundo exterior”.
4.º passo: deixar de lado as regras da hora de dormir na noite de passagem de ano
Se durante o ano até às 22 horas os seus filhos já têm de estar na cama, na noite de passagem de ano pode abrir uma exceção. O sono continua a ter uma influência importante no cansaço, na atenção e na motivação das crianças, mas são particularmente importantes para enfrentar o dia a dia escolar.
Já na noite de passagem de ano, de acordo com a psicóloga Marta Martins Leite, a hora de dormir deve depender da faixa etária e das necessidades de cada criança. Por isso, nesta noite pode permitir que as crianças fiquem acordadas até mais tarde. Contudo, devem perceber que esta é uma noite especial, e que a noite serve para descansar e o dia para fazer atividades.
“Se a criança desejar ir deitar-se, a comodidade do pai e da mãe não deve prevalecer e deve ir deitá-lo”, explica a especialista à MAGG.
5.º passo: para as crianças voltarem à rotina só têm de seguir o exemplo dos pais
Depois das festas — em que as crianças ainda estão sob o efeito da agitação do Natal, à qual se junta o ano novo —, é altura de começar a prepará-las para voltar à rotina. Aqui a hora de dormir volta a ser fundamental para que estejam atentas na escola.
Mas não basta mandá-los para a cama mais cedo, ou dizer-lhes que já não podem continuar a comer a mesma quantidade de doces, se os pais não fizerem o mesmo.
“O melhor conselho que os pais podem dar aos seus filhos são as suas ações e os seus exemplos. Nos dias seguintes, [as crianças] devem retomar as suas rotinas habituais ainda que haja resistência, particularmente o readquirir os hábitos de sono”.
Quanto a estes, para voltar a entrar na rotina deve acordá-los e deitá-los em horas próximas daquelas a que estão habituados em tempo de aulas. Além disso, o final das férias deve ser entendido como um momento positivo. E como exemplo a seguir pelos mais novos, deve evitar desabafos como “amanhã já volto ao trabalho” ou “depois das festas nunca apetece trabalhar”.
Até o pode pensar — a verdade é retomar ao trabalho no início do ano pode custar — mas para eles a mensagem que deve passar é de que regressar à escola é sinónimo de reencontrar os amigos e professores e estudar para ter um bom futuro, tal como cumprir os objetivos traçados para 2020, que “ao longo do ano devem ser relembrados como reforço da formação das crianças e da sua auto-estima”, conclui a psicóloga.