João Rendeiro vai continuar detido até 10 de janeiro. Juiz negou libertação sob fiança

Depois de vários adiamentos, o ex-banqueiro voltou esta sexta-feira, 17 de dezembro, ao tribunal para conhecer as medidas de coação após ter sido detido. Juiz recusou libertação sob fiança de João Rendeiro.

João Rendeiro vai continuar detido na África do Sul até, pelo menos, 10 de janeiro. O ex-banqueiro conheceu esta sexta-feira, 17 de dezembro, as medidas de coação a serem aplicadas depois da detenção no sábado, 10, na África do Sul, depois de a audiência ter começado na quarta-feira, 15, mas ter sido interrompida.

O magistrado negou o pedido de libertação sob fiança por considerar o ex-banqueiro um “foragido à justiça”. João Rendeiro vai, assim, continuar detido no estabelecimento prisional de Westville. O Ministério Público português tem, agora, de enviar para as instâncias judiciais sul-africanas o processo de extradição do ex-presidente do BPP, processo esse que irá ser apreciado na próxima audiência, a 10 de janeiro de 2022.

Depois de adiada por várias vezes, a audiência de quarta-feira, 15, decorreu com vários percalços até ser suspensa com o objetivo de ser retomada esta sexta, uma fez que quinta-feira, 16, foi feriado na África do Sul.

O facto de a audiência de terça-feira ter decorrido à porta fechada teve também que ver com o uso de documentos confidenciais, explicou a CNN Portugal ao longo da manhã. No tribunal de família, o local onde o ex-banqueiro foi ouvido, Rendeiro prestou declarações dizendo estar detido devido à cobertura feita pelos vários órgãos de comunicação social.

“Estou preso por pressão da comunicação social. Li que tenho recursos ilimitados, mas os meus bens estão arrestados”, cita a CNN Portugal. As declarações de João Rendeiro em tribunal foram proferidas um dia depois de, na audiência adiada de terça-feira, ter dito que não voltaria a Portugal. Além disso, o ex-banqueiro demonstrou-se ainda disponível para pagar uma fiança de 2.200€.

Ainda na manhã de quarta-feira, em declarações aos jornalistas à saída da esquadra, sublinhou não estar a desafiar as autoridades portuguesas.

Falta de tradutores do Ministério Público põe em risco processo de extradição?

As medidas de coação são conhecidas numa fase em que se soube que a falta de tradutores do Ministério Público poderia comprometer o pedido de extradição do ex-presidente do extinto Banco Privado Português (BPP), que teriam de traduzir para inglês toda a documentação necessária, avançou o jornal “Público”.

Na sequência da notícia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) assumiu a falta de tradutores, mas garantiu que o prazo legal vai ser cumprido. Nem que que, para esse efeito, tenha de ser contratados tradutores externos, cita o mesmo jornal.

O juiz tem um prazo máximo de 18 dias para dar início ao processo de extradição, cujo prazo é prorrogável por mais 40 dias. Caberá ao Ministério Público português enviar, através do Ministério da Justiça, um pedido de extradição para a África do Sul com a devida fundamentação, escreve o jornal “Expresso”. No caso de João Rendeiro recusar ser extraditado, caberá ao juiz a decisão final sobre se cumpre ou não o pedido do Ministério Público português. A decisão pode ser alvo de recurso.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.
Scroll to Top