Sabia que há um outro filme a ocupar o primeiro lugar das bilheteiras? E que foi inspirado numa história real? E que esta não é a primeira vez que o realizador tem Leonardo DiCaprio como protagonista de um dos seus filmes? Descubra tudo.
“Assassinos da Lua das Flores” (ou “Killers of the Flower Moon”, em inglês) era um dos filmes mais esperados do outono, desde que foi apresentado extra-competição no Festival de Cinema de Cannes, em maio. O novo projeto de Martin Scorsese chegou às salas de cinema esta quinta-feira, 19 de outubro, e é um dos fortes candidatos aos Óscares.
Com argumento de Eric Roth e realização do veterano Martin Scorsese, este western tem por base a obra escrita pelo jornalista norte-americano David Grann. O objetivo é retratar o assassinato dos índios Osage na década de 1920 – e para isso contam com um elenco de pesos pesados da representação, como Leonardo DiCaprio, Robert De Niro e Lily Gladstone.
Até agora, o filme está a ser um sucesso das bilheteiras, tendo angariado cerca de 44 milhões de dólares (o equivalente a quase 42 milhões de euros) nos primeiros dias após a estreia, segundo a “Variety“. Quanto aos críticos, ainda que haja quem o considere longo demais, já que tem cerca de três horas e meia, há muitos outros que não se queixam da duração, quando é a mestria de Scorsese que está em causa.
Mas sabia que há um outro filme a ocupar o primeiro lugar das bilheteiras? E que esta história foi inspirada em acontecimentos reais? Estas são algumas das curiosidades que precisa de saber sobre “Assassinos da Lua das Flores”, que agora lhe contamos.
O filme pode ser bom, mas Taylor Swift leva a taça
“Assassinos da Lua das Flores” arrecadou cerca de 44 milhões de dólares (o equivalente a quase 42 milhões de euros) nos primeiros dias após a estreia, dos quais 23 milhões dizem respeito apenas aos cinemas norte-americanos. Mas este não foi o único filme a estrear recentemente, pelo que existe competição – e pode não ser aquela de que está à espera.
Estamos a falar de “Taylor Swift – The Eras Tour“. O filme-concerto da cantora norte-americana, que é atualmente uma das mais conhecidas do mundo, chegou às salas de cinema no dia 13 de outubro e está a ser um sucesso tão grande que nem a obra-prima de Martin Scorsese o está a conseguir ultrapassar.
O projeto já conseguiu angariar 129 milhões de dólares (cerca de 121 milhões de euros) nas bilheteiras, dos quais 31 milhões correspondem apenas ao segundo fim de semana após a estreia em território norte-americano, de acordo com a “Hollywood Reporter“, que acrescenta que é o primeiro filme-concerto da história a fazer mais de 100 milhões de dólares.
Pode ser um produto de ficção, mas é inspirado em factos reais

A obra escrita pelo jornalista norte-americano David Grann foi o ponto de partida deste filme. Mas sabia que é baseada num evento real ocorrido nos Estados Unidos da América durante a década de 1920? Estamos a falar do assassinato dos indígenas Osage, que, graças às valiosas reservas de petróleo descobertas no território em que habitavam, atraíram a atenção sobre si e tornam-se as vítimas perfeitas da ganância dos homens brancos, sendo um deles o fazendeiro William Hale, interpretado por De Niro.
Os homens estavam dispostos a usar de todos os esquemas para lucrar às suas custas – e, por confiarem neles, os Osage acabam por ser traídos e, aos poucos, começam a ser assassinados. Quando os indígenas são encontrados mortos, o caso é entregue ao Bureau of Investigation (BOI, a agência que, mais tarde, veio a ser conhecida como FBI), que envia uma equipa para investigar os crimes.
É neste contexto que se desenrola uma improvável história de amor entre o veterano Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio), sobrinho do fazendeiro e recém-chegado a Oklahoma, onde a história tem lugar, e Mollie Kyle (Lily Gladstone), uma jovem nativa. O par acaba por casar-se e o matrimónio parece surtir efeitos na coexistência entre os brancos e os indígenas, até que Ernest se vê envolvido nos esquemas do seu tio, que quer eliminar os Osage sorrateiramente para ficar com a sua riqueza.
Esta é a sexta vez que DiCaprio e Scorsese unem forças
Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese não são desconhecidos um do outro. Antes de “Assassinos da Lua das Flores”, o ator já tinha feito parte de outros projetos do realizador, igualmente aclamados em Hollywood, sendo esta a sexta vez em que a dupla aparece nos créditos de um projeto.
O pontapé de saída desta relação duradoura deu-se em 2002, com “Gangues de Nova Iorque”, uma saga sobre a cidade de Nova Iorque no século XIX. Em 2004, o par reuniu-se para levar a cabo “O Aviador”, uma filme biográfico do excêntrico empresário Howard Hughes, que rendeu a DiCaprio uma nomeação para o Óscar de Melhor Ator.
Dois anos depois, em 2006, “The Departed – Entre Inimigos” marcou o regresso de DiCaprio e Scorsese ao crime e à intriga, levando para casa quatro prémios da Academia, incluindo Melhor Filme e Realização. A parceria continuou com o thriller “Shutter Island” (2010) e, mais tarde, com “O Lobo de Wall Street” (2013), que explorou o mundo corrupto e pautado por excessos dos negócios nova-iorquinos.
E também não é a primeira vez de De Niro e DiCaprio a contracenar

Em “Assassinos da Lua das Flores”, Robert De Niro pode ser, simbolicamente falando, tio de Leonardo DiCaprio. Contudo, a dupla também já abraçou os papéis de enteado e padrasto, bem como de paciente e médico, sendo esta a terceira vez que vão contracenar no grande ecrã.
A primeira vez que se encontraram foi em 1993, na história dramática de “A Vida Deste Rapaz”. Neste filme, De Niro dá vida a Dwight Hansen, um padrasto abusivo, enquanto DiCaprio, que desempenhava um dos primeiros papéis no cinema, é o jovem Toby Wolff. O filme explora a relação disfuncional entre o padrasto e o enteado, com o adolescente a procurar aprovação e o afeto daquela figura paternal, mesmo que esta só lhe desse razões para desistir.
Três anos depois, em 1996, a dupla volta a fazer parte do mesmo projeto, “Duas Irmãs”. Neste filme, De Niro veste a pele de um médico, Dr. Wally, que trata Hank (Leonardo DiCaprio), diagnosticado com leucemia. A história retrata a união da família, na sequência de um diagnóstico grave, assim como a do profissional de saúde e do o adolescente, que têm problemas com os pais.
O filme recebeu uma ovação de 9 minutos em Cannes
A exibição de “Assassinos da Lua das Flores” era um dos momentos mais aguardados da 76.ª edição do Festival de Cinema de Cannes, que decorreu em França, entre os dias 16 e 27 de maio. Ainda que ninguém tenha dúvidas da mestria de Scorsese, há vezes em que as coisas podem não correr tão bem – mas não foi o caso.
Depois de os presentes no festival cinematográfico verem o filme, que foi apresentado em extra-competição, o realizador conquistou a ovação mais longa daquela edição do festival, que se traduziu numa salva de palmas apoteótica de quase dez minutos.
Contudo, esta ovação está longe de ser a maior da história do festival, que se fixa nos 22 minutos. De acordo com a “Variety“, este feito pertence a “O Labirinto do Fauno”, um filme de Guillermo del Toro que casa os universos da fantasia e do terror, apresentado na 59.ª edição do certame, que decorreu em 2006.