Fotoproteção. 13 mitos e factos sobre o protetor solar que deve conhecer, segundo uma especialista

Falámos com Ana Sofia Amaral, especialista da L’Oréal Portugal, para desmistificar os principais mitos e revelar as verdades sobre o protetor solar.

Entre amigos ou família, dizemos isto várias vezes e é uma ideia que não nos cansamos de reiterar: o protetor solar é, sem dúvida, o produto de beleza mais importante de qualquer rotina. Contudo, continua a ser um dos mais incompreendidos. Muitos dos hábitos e perceções sobre este produto permanecem presos a mitos antigos que não só confundem como, em alguns casos, comprometem a saúde da pele.

Entre dúvidas sobre a síntese da vitamina D, fórmulas químicas, níveis do fator de proteção solar (FPS) e até rumores sobre cancro, a proteção solar ganhou uma aura de complexidade que não corresponde à verdade. A indústria tem evoluído, as fórmulas estão cada vez mais sofisticadas, mas a desinformação continua a circular (sobretudo nas redes sociais, onde “dicas” sem base científica se disseminam à velocidade da luz).

Para descontruir as ideias erradas e confirmar as verdades que todos devíamos saber, a MAGG falou com Ana Sofia Amaral, responsável de Sustentabilidade, CSR e diretora científica da L’Oréal Portugal, que respondeu ponto por ponto às crenças mais comuns: “Só precisamos de proteção na praia?”, “O FPS 50 é mais poderoso do que o 30?”, “Filtros químicos são maus?”, por exemplo.

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Ana Sofia Amaral, responsável de Sustentabilidade, CSR e diretora científica da L’Oréal Portugacréditos: Divulgação

Uma coisa é certa: as explicações da especialista deixam claro que, como já todos devíamos saber, a proteção deverá ir muito além do verão e que, quando realizado corretamente, o uso de protetor solar é um dos passos mais poderosos para manter a pele saudável e bonita ao longo da vida. Mas, para que não restem dúvidas, vamos ponto a ponto.

“Só precisamos de proteção solar na praia, nos dias de sol ou no verão” – Mito

É um mito que nós só devemos usar proteção solar nos dias de ir à praia ou nos dias de ir ao campo e com grande sol“, começa por dizer Ana Sofia Amaral, explicando que os raios UVA, ao contrário dos UVB, estão presentes o ano inteiro e atravessam nuvens e vidros. “São mais insidiosos, vão mais fundo na pele, têm um espectro mais amplo e existem durante todo o ano”, frisa, alertando para o facto de contribuírem em igual medida para o envelhecimento cutâneo.

Isto significa que “estamos sempre em contacto com eles”, pelo que este mito tem impacto direto na saúde da população, já que leva muitas pessoas a negligenciar a proteção fora do contexto balnear. Este é o cocktail da desgraça, já que se vão acumulando danos ao longo dos anos, como manchas, rugas e “outros cenários que podem depois gerar, no pior dos casos, algum cancro da pele”, remata.

“O protetor solar também protege contra a luz azul” – Facto

Não são todos que o fazem, é certo, mas já existem protetores solares formulados para proteger a pele da luz azul, emitida por aqueles dispositivos com que lidamos diariamente (sim, os telemóveis, computadores, tablets e afins). “Quando a pessoa está à procura de um protetor solar, ela deve olhar para as marcas e para o que elas dizem, porque têm que o provar“, explica Ana Sofia Amaral.

Estas fórmulas são desenvolvidas com testes rigorosos para garantir eficácia contra este tipo de radiação. A luz azul, apesar de menos agressiva do que a radiação UV, pode agravar manchas e melasma em peles sensíveis ou com tendência para hiperpigmentação. Por isso, quem passa muitas horas ao computador deve considerar esta funcionalidade extra.

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A diretora ciêntifica da L’Oréal Portugal lembra ainda que este tipo de inovação só deve ser valorizado quando devidamente comprovado. “Tudo o que uma marca reivindica tem que ser provado, e essa informação está sempre visível no rótulo”, alerta.

“O protetor solar é o passo mais eficaz contra o envelhecimento da pele” – Facto

Entre os inúmeros produtos e tratamentos anti-idade, o protetor solar continua a ser o mais eficaz. Afinal, “quase 80% do envelhecimento da pele é devido exatamente à radiação ultravioleta”, afirma Ana Sofia Amaral. A exposição ao sol provoca degradação das fibras de colagénio e elastina, responsáveis pela firmeza da pele, e leva ao aparecimento de rugas, manchas e flacidez.

Proteger a pele diariamente é, por isso, uma forma de prevenção com impacto a longo prazo. É que o fotoenvelhecimento tem efeitos cumulativos, o que significa que a utilização de protetor solar (a par de evitar expor-se ao sol nas horas de maior calor, claro) é o melhor investimento que alguém pode fazer na pele. É um produto com retorno garantido, vá.

“Quem se bronzeia facilmente está protegido” – Mito

A facilidade em bronzear não significa que a pele esteja protegida dos efeitos nocivos do sol, significa apenas “que tem uma pigmentação um pouco diferente”. Por isso, “deve utilizar protetor solar na mesma, apenas adequado à sua situação”, explica Ana Sofia Amaral. Embora peles mais escuras possuam maior quantidade de melanina, que oferece alguma proteção, essa barreira é insuficiente para evitar os riscos.

A especialista alerta para um falso sentimento de segurança. “A partir de um certo momento de desgaste, a nossa pele já não consegue fazer face a esses danos e podem surgir situações graves, às vezes até cancro da pele”, afiança. Assim, independentemente do fototipo, a proteção solar deve ser parte integrante da rotina diária para todos, adaptando apenas a textura ou fator de proteção de acordo com as necessidades individuais.

“Basta aplicar protetor uma vez de manhã e estamos protegidos o dia todo” – Mito

Este é um erro frequente que leva muitas pessoas a ficarem desprotegidas sem perceber, especialmente se estivermos a falar de contextos de exposição solar prolongada ou se houver outros fatores externos a contribuir para isso. Veja-se a praia, por exemplo, onde o facto de irmos a banhos ou de transpirarmos é suficiente para que se vá perdendo a eficácia esperada.

“O protetor solar mantém-se à superfície da pele e vai sendo consumido. Não é infalível a todo o tipo de dinamismo, por isso precisa de reaplicação”, afirma Ana Sofia Amaral. Assim, além da praia, situações como piscina, prática de desporto ou até o simples ato de limpar o rosto podem afetar a derradeira missão do produto: proteger.

A recomendação dos dermatologistas, diz a especialista, é reaplicar a cada duas horas quando há exposição direta ao sol e reforçar sempre depois de nadar ou transpirar. Em contexto urbano, onde a exposição é mais baixa, uma aplicação generosa de manhã pode ser suficiente, se não tivermos grande exposição nas horas que se seguem, mas o hábito de reaplicar deve ser visto como uma regra de segurança.

“Nenhum protetor solar bloqueia a 100% a radiação” – Facto

Apesar de ser um ótimo aliado no que toca a proteger dos raios solares, “nenhum protetor solar pode reivindicar que bloqueia a 100% os raios solares”, sublinha Ana Sofia Amaral. Sim, os fatores mais elevados reduzem significativamente a penetração dos raios UV, mas não a eliminam por completo. Por isso, o protetor deve ser complementado com outras estratégias de defesa, como procurar sombra e usar roupa adequada, com proteção UV, por exemplo.

“O protetor é uma arma muito potente para nós nos protegermos dos danos da radiação ultravioleta, mas é preciso perceber que não é uma arma infalível. Eu preciso de ter outro tipo de responsabilidades ao sol”, reitera a especialista, dizendo ainda que esta deve ser uma preocupação a ter ainda mais em conta nas horas de maior calor, em que os raios “são muito mais energéticos, muito mais incidentes e muito mais fortes”.

“O FPS 50 protege muito mais do que o FPS 30” – Facto, mas…

A diferença entre um protetor solar FPS 30 e um FPS 50 existe, mas não é linear nem tão grande quanto muitas pessoas imaginam “É verdade que um protetor 50 ou 50+ protege mais do que um protetor 30, mas isso não significa que se possa estar mais horas ao sol sem reaplicar“, explica a diretora científica da L’Oréal Portugal.

Isto é, de acordo com o site da Cerave, o FPS 30 bloqueia cerca de 97% dos raios UVB, enquanto FPS 50 bloqueia cerca de 98%. A diferença é de apenas um ponto percentual, suficiente para proteger melhor peles muito claras ou sensíveis, mas insuficiente para dispensar outras regras de proteção solar, como reaplicar o produto e evitar o pico de radiação solar.

A especialista explica ainda como se mede o FPS, informação pouco conhecida pelo público. Este é determinado através de “testes controlados”, medindo “quanto tempo a pele demora a ficar vermelha” com protetor comparado à pele sem o produto. Fatores como transpiração, água ou quantidade aplicada influenciam a proteção real.

No entanto, o 30 já protege bem a maioria, enquanto o 50 ou 50+ é recomendado para peles muito claras ou exposição intensa. Ainda assim, não ache que a aplicação destes últimos dois lhe dão carta branca para se expor à radiação, porque, de acordo com Ana Sofia Amaral, isso “não implica que, por ter um fator mais alto, possa estar mais horas ao sol” sem o reaplicar.

“A quantidade de produto influencia a proteção prometida” – Facto

A eficácia anunciada na embalagem só é atingida se a quantidade de produto aplicada for suficiente. “As pessoas têm que fazer uma aplicação abundante e homogénea”, reforça Ana Sofia Amaral. Para o rosto, recomenda-se o equivalente a dois dedos de produto, e para o corpo, uma colher de chá por zona (ou um copo de shot para o corpo inteiro).

A especialista destaca que muitas pessoas aplicam quantidades insuficientes por questões de textura ou conforto. “Se o produto não for confortável, as pessoas não o vão usar. É preciso encontrar o equilíbrio entre eficácia e conforto”, relata. Escolher uma fórmula agradável e adequada ao tipo de pele aumenta a adesão ao hábito, garantindo a proteção real anunciada pelo FPS.

“Protetores solares podem piorar a acne” – Mito

Muitas pessoas com pele acneica evitam o protetor solar por receio de agravar a oleosidade e as borbulhas. Ana Sofia Amaral desmistifica esta ideia, dizendo que já “há produtos adequados, muito menos oleosos, desenvolvidos para este tipo de pele“. Hoje em dia, existem fórmulas oil-free, com acabamento matte e ingredientes calmantes, que permitem proteger a pele sem comprometer a sua saúde ou aumentar a acne.

Além disso, a radiação ultravioleta também é a pior inimiga de quem padece desta condição, provocando manchas pós-inflamatórias e cicatrizes mais visíveis. “O protetor solar não só não piora a acne como protege contra estas alterações de pigmentação. É uma ferramenta essencial para quem tem pele com tendência acneica”, explica a especialista.

“Protetores solares químicos são prejudiciais para a saúde” – Mito

A palavra “químico” tem sido muitas vezes usada como sinónimo de perigo, especialmente entre os negacionistas, mas é errada. “Nós somos todos químicos. A água tem uma fórmula química. Tudo o que é natural ou químico tem que ser visto pelo seu efeito e segurança“, explica Ana Sofia Amaral. Tanto os filtros químicos como os físicos passam por testes rigorosos e legislações europeias que garantem que só podem ser utilizados produtos seguros.

Posto isto, a especialista reforça que os protetores solares são altamente regulamentados. “Os filtros solares são ingredientes aprovados e estudados. As marcas realizam testes de segurança antes de lançar o produto. Portanto, químicos ou físicos, ambos são seguros e eficazes quando usados corretamente”, afiança, dizendo que a associação entre “químico” e “perigoso” é algo que não é cientificamente correta.

“Produtos com FPS, como cremes ou maquilhagem, substituem o protetor solar” – Mito

Bases, BB creams e cremes com FPS são aliados valiosos para reforçar a proteção, mas não substituem o protetor solar. “Cada produto está indicado para uma situação”, diz a especialista, dizendo que  Uma base com proteção solar é ótima para o dia a dia, mas não substitui o protetor para exposição intensa”, explica a especialista. Isto acontece porque dificilmente aplicamos a quantidade necessária de maquilhagem para atingir a proteção indicada na embalagem. O ideal é usar protetor solar primeiro e maquilhar por cima.

“Precisamos de apanhar sol sem proteção para produzir vitamina D” – Mito

“Nós, para produzirmos vitamina D, não precisamos estar muito tempo ao sol, porque ela rapidamente se produz”, frisa a diretora científica da L’Oréal Portugal, voltando a um dos tópicos anteriores. “O protetor solar não é uma barreira completa ao sol”, lembra, ao deixar ainda claro que “é necessário o protetor solar para apanhar sol, para evitar situações graves“.

A síntese de vitamina D ocorre com exposição moderada e, em casos de deficiência, pode ser complementada por suplementos prescritos por um médico, sem comprometer a proteção da pele. Por isso, para que não restem dúvidas, vale sempre lembrar: a saúde da pele e síntese de vitamina D não são incompatíveis.

“O protetor solar causa cancro” – Mito

Um dos mitos mais absurdos é que os protetores solares podem causar cancro. Ana Sofia Amaral é categórica e afirma que “os protetores são estudados, escrutinados e aprovados pelas autoridades”, pelo que são concebidos apenas por “ingredientes autorizados e seguros”, fazendo com que, ao contrário do que apregoam os negacionistas, “não causem cancro”.

Pelo contrário, como já dito anteriormente, a ausência de proteção aumenta significativamente o risco de desenvolver lesões malignas na pele, incluindo melanoma. “O revés da moeda é não utilizar protetor solar, que aumenta o risco de cancro da pele. A segurança dos produtos está garantida por legislação e testes rigorosos”, pelo que não há motivos para receio, remata.

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