Orelha era um cão comunitário, alimentado diariamente por toda a gente que o conhecia. Acabou espancado numa praia. Veterinários tentaram salvá-lo mas sem sorte. Veja o que se passou.
A morte de Orelha, um cão comunitário conhecido e protegido por uma comunidade costeira, transformou-se num dos casos mais chocantes e mobilizadores das últimas semanas nas redes sociais. Encontrado gravemente ferido numa zona próxima da praia onde vivia há anos, o animal não resistiu à violência a que foi sujeito e acabou por morrer após ser assistido por veterinários. O caso gerou uma onda de indignação nas redes sociais, protestos no local e uma exigência coletiva por justiça.
Orelha não tinha dono formal, mas tinha algo que, para muitos, vale mais: pertencia a todos. Era alimentado diariamente por moradores, comerciantes e frequentadores da praia na zona de Florianópolis, no Brasil, dormia em abrigos improvisados construídos pela comunidade e fazia parte da paisagem local. Manso, habituado à presença humana e conhecido pela sua orelha caída que lhe deu o nome, tornou-se um símbolo de convivência pacífica entre pessoas e animais.
A agressão bárbara
Tudo mudou quando foi encontrado com sinais claros de agressão violenta. As lesões eram extensas e incompatíveis com um acidente. Levado de urgência para a assistência veterinária, o estado clínico revelou-se irreversível. Perante o sofrimento extremo, foi tomada a difícil decisão de proceder à eutanásia. A notícia espalhou-se rapidamente e provocou choque, tristeza e revolta não só na comunidade local, como em todo o Brasil e mesmo na Europa.
A investigação avançou após a divulgação do caso. Testemunhos e imagens recolhidas permitiram identificar suspeitos, alegadamente um grupo de jovens, e o processo segue agora em inquérito. As autoridades procuram apurar responsabilidades num caso que levanta questões profundas sobre violência gratuita, empatia e os limites da crueldade, sobretudo quando dirigida a um animal indefeso.
A resposta da comunidade foi imediata. Nos dias seguintes, dezenas de pessoas reuniram-se na praia para prestar homenagem a Orelha e exigir justiça. Cartazes, flores e mensagens emocionadas ocuparam o espaço onde o cão costumava circular livremente. Nas redes sociais, o seu nome tornou-se símbolo de denúncia, com milhares de partilhas e apelos a punições exemplares para crimes de maus-tratos a animais.