Ativistas, investigadores e desportistas. As vidas que se perderam com o voo da Ethiopian

Grande parte das vítimas trabalhava na área do ambiente, devido a uma assembleia ambientalista da ONU que iria decorrer no Quénia.

Um total de 157 pessoas de 35 nacionalidades diferentes. Foi este o custo da queda do Boeing 737 da Ethiopian Airlines, que fazia o trajeto entre Addis-Abeba​, capital da Etiópia e Nairóbi, a capital do Quénia.

A companhia aérea utilizou a rede social Twitter para divulgar a lista de nacionalidades das vítimas mortais. O Quénia encontra-se no topo, com 32 mortes a registar, seguido do Canadá (18) e da Etiópia (9). Segundo dados divulgados, não existiam portugueses a bordo.

A conferência de arqueologia da UNESCO e a assembleia da ONU para o meio ambiente fizeram com que grande parte das vítimas a registar esteja associada a Organizações Não-Governamentais ou a grupos de intervenção e investigação dessas áreas de estudo. No entanto, em 149 passageiros, as idades, nacionalidades e carreiras são diversas. 

Deputado eslovaco perde mulher e dois filhos

Anton Hrnko é dirigente do partido nacional eslovaco, deputado no conselho nacional e perdeu a mulher, Blanka, e os dois filhos, Michala e Martin, na sequência do acidente.

O político de 64 anos foi um dos membros fundadores do partido e trabalhou em cargos do ministério da defesa entre 1990 e 2016. Foi através do Facebook que Anton anunciou o sucedido.”É com profunda tristeza que anuncio que a minha querida esposa, Blanka, o meu filho, Martin, e a minha filha, Michala, morreram às primeiras horas da manhã no desastre aéreo em Addis Abeba”.

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Associação que construía hospitais no país mais pobre do mundo perde três médicos

Na lista de oito vítimas de nacionalidade italiana constam três médicos que dirigiam e desenvolviam trabalho humanitário em África, em nome da Organização Não-Governamental Africa Tremila. Carpo Spini, de 75 anos, era o diretor da ONG e estava acompanhado pela esposa, Gabriella Viggiani e por um amigo de ambos, Matteo Ravasio. O casal, que morava em Toscana, deixa quatro filhos.

A equipa era responsável pela construção de hospitais no Sudão do Sul, considerado o país mais pobre do mundo pelo FMI. A partir da cidade de Nairobi, o trio deveria seguir para o país do nordeste africano.

Ex-secretário geral da federação queniana de futebol entre as vítimas

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Hussein Swaleh teria estado a oficializar um jogo da liga dos campeões da confederação africana de futebol, no qual o Ismaily, equipa do Egito, defrontou o Tout Puissant Mazembe, da República Democrática do Congo.

Foram várias as figuras da política e do futebol africano que se vieram pronunciar sobre a tragédia. A notícia foi confirmada pelo presidente da federação Queniana de Futebol, Nick Mwendwa, numa entrevista por telefone ao site “Goal”.

O ex-presidente da FKF, Sam Nyamweya, declarou que era um “dia triste para o futebol queniano. Não tenho palavras para explicar as notícias, perdemos um trabalhador dedicado, que queria ver o futebol melhorar a cada dia”, cita o mesmo site.

Também Uhuru Kenyatta, presidente do Quénia, veio falar a público sobre o sucedido. Em comunicado, afirmou: “As minhas orações estão com as famílias e associações ligadas àqueles que estavam a bordo.”

Professor universitário faz post religioso no Facebook antes da tragédia

Escritor e professor na Universidade de Carleton, em Ottawa, Pius Adesanmi estava a caminho de uma reunião do conselho económico, social e cultural da União Africana, em Nairóbi.

O aclamado escritor nigeriano era diretor do instituto de estudos africanos da universidade e ex-professor assistente de literatura comparativa na Universidade Estadual da Pensilvânia.

Antes de entrar no avião, Pius publicou uma fotografia no Facebook, onde se pode ver o professor sentado no aeroporto com o passaporte canadiano na mão. Na legenda, escreveu o excerto de um salmo religioso — “Se eu tomar as asas da manhã e habitar as partes mais remotas do mar, mesmo aí a sua mão irá guiar-me, e a sua mão direita irá segurar-me.”

A fotografia que Pius Adesanmi partilhou na rede social

O vice-chanceler e presidente da universidade de Carleton, Benoit-Antoine Bacon, declarou que considerava Pius uma “figura imponente do conhecimento africano e pós-colonial. A sua perda súbita é uma tragédia”.

Jovem ativista de 24 anos

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Danielle Moore estava a bordo do avião da Ethiopian que tinha descolado de Addis Ababa. Com apenas 24 anos, era bióloga marinha e estava a trabalhar com o Ocean Wise, um grupo dedicado à limpeza dos oceanos.

A jovem natural de Scarborough, em Ontário, tinha colocado um post no Facebook onde revelava ter sido selecionada para participar na assembleia da ONU para o meio ambiente, em Nairóbi.

Com nome associado a várias Organizações Não-Governamentais em Winnipeg, no Canadá, a jovem escreveu que estava entusiasmada por ter a oportunidade de “discutir questões ambientais globais, partilhar histórias criar ligações com outros jovens e líderes de todo o mundo”.

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