Emmanuel Macron foi reeleito presidente de França com cerca de 58% dos votos, segundo as projeções divulgadas pela imprensa francesa. A candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, obteve 42% nesta segunda volta.
Já são conhecidos os resultados da segunda volta das eleições presidenciais francesas. Emmanuel Marcon foi reeleito este domingo, 24 de abril, para um segundo mandato enquanto presidente de França com 58% dos votos, de acordo com projeções oficiais. A opositora da extrema-direita, Marine Le Pen, foi derrotada com 42%, avançou a imprensa francesa.
Antes dos resultados serem conhecidos, o canal francês BFM TV antecipava uma abstenção recorde de 28%, algo que não acontecia desde 1969. Mais de 63% franceses votaram até às 17h (16h em Lisboa), a duas horas do encerramento das primeiras assembleias de voto. A vitória foi conhecida às 20h da hora local (19h em Lisboa).
No discurso de derrota, Marine Le Pen falou já com os olhos postos nas próximas eleições legislativas e afirmou não ter “qualquer ressentimento ou rancor”. Garantiu que vai continuar a defender os franceses e a França. Aproveitou também para considerar: “Macron não fará nada para colmatar fraquezas.” Apesar da derrota, o partido de Le Pen teve resultados históricos, ultrapassando os 40%.
O eleitorado fez também ouvir a sua vontade nas várias sondagens divulgadas que já previam a vitória de Macron, numa diferença de resultados entre 53% a 47% (cerca de 10% a 15% de diferença). Os candidatos não estavam autorizados a fazer campanha antes da segunda volta, nem no próprio dia de eleições.
Os resultados da primeira volta, realizada a 10 de abril, também tinham sido favoráveis para o centrista, registando 27,84% dos votos. Foi o mais votado entre os 12 candidatos na corrida. Já Le Pen angariou 23,15%. O candidato venceu com mais 4,7 pontos percentuais, comparando com os resultados da candidata da União Nacional (extrema-direita). O candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon ficou com o terceiro lugar, obtendo 21,95% dos votos.
Na noite de 20 de abril, os candidatos estiveram frente a frente num debate televisivo. Le Pen atacou o centrista focando-se na economia, alegando que Macron não fez o suficiente para amenizar a inflação e o aumento dos preços da energia. Já o presidente da França, agora reeleito, lembrou as ligações da candidata a Putin.
Desforra estava pendente desde as eleições de 2017
Não foi a primeira vez que Macron e Le Pen se confrontaram. Em 2017, o estreante político venceu por quase dois votos a um a candidata, que ficou conhecida por ser um dos membros da primeira família da extrema-direita francesa e apologista de controlar a imigração.
Há cinco anos, Marine Le Pen obteve 34% dos votos na segunda volta e o presidente mais jovem de França venceu com 66%. Na segunda volta de 2022, concluída este domingo, 24, a margem entre os dois candidatos foi menor à de 2017.
A taxa de participação dos franceses até ao meio-dia foi 26,41%, menor do que no mesmo período na segunda volta de 2017 (28,23% ). E, segundo o Jornal de Negócios, após a primeira volta, os dois candidatos dramatizaram o discurso e esforçaram-se para conquistar, sobretudo, os votos dos apoiantes de Jean-Luc Mélenchon (esquerda radical), que ficou pelo caminho na corrida.
O poder de compra dos franceses, a gestão da pandemia da pandemia da COVID-19, a segurança perante a ameaça de um ataque nuclear e a imigração foram alguns dos temas debatidos entre os candidatos às eleições presidenciais francesas, numa altura em que a Europa lida com a guerra entre a Ucrânia e a Rússia.
Macron, 44 anos, é um ex-banqueiro e tornou-se presidente de França sendo ainda um novato na área política. Estas foram as suas segundas eleições. Antes da primeira volta, recusou-se debater com os outros candidatos à corrida e quase não fez campanha. Já Le Pen, 53 anos, que tem procurado mudar a imagem do seu partido, concorreu pela terceira vez nestas eleições presidenciais.
A França volta a ir a votos novamente em junho de 2022, mês em que vão decorrer eleições legislativas.