Os bombardeamentos intensificam-se e muitos são “indiscriminados”, avança o ministério da Defesa do Reino Unido. Um dos ataques aconteceu este domingo, 20 de março, numa escola em Mariupol.
O 25.º de guerra entre a Ucrânia e a Rússia está a ser marcado por um ataque a uma escola onde estariam abrigadas mulheres, crianças e idosos. Até ao momento não é conhecido o número de vítimas, apenas que o edifício foi destruído. Ainda sobre este domingo, 20 de março, esperam-se novos corredores humanitários, um deles na cidade costeira de Mariupol.
Durante a madrugada, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, publicou um vídeo no Facebook no qual fez várias referências relevantes sobre a guerra. Uma delas diz respeito à suspensão de um total de 11 partidos ligados à Rússia, pelo menos enquanto estiver em vigor a lei marcial, imposta a 24 de fevereiro, data da primeira invasão russa à Ucrânia. Na mensagem, Volodymyr Zelensky condenou ainda os ataques e o cerco a Mariupol.
No panorama internacional, a China refere que está “do lado certo da história” e a Suíça mostrou-se disposta a mediar as negociações entre a Rússia e a Ucrânia.
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Escola que abrigava 400 civis foi bombardeada
Uma escola de arte em Mariupol, que servia de abrigo a 400 civis, entre eles mulheres, crianças e idosos, foi bombardeada durante a noite de sábado, 19, de acordo com o autarca da cidade num comunicado através da rede social Telegram.
Ao que tudo indica, o edifício foi destruído, mas não é conhecido o número de feridos causados pelo alegado ataque russo, conforme acusam o parlamento ucraniano e o conselho da cidade de Mariupol. A informação ainda não foi confirmada pelas agências de informação internacionais.
Antes deste ataque, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou os bombardeamentos e o cerco que tem sido feito à cidade. “Fazer isto a uma cidade pacífica… é um terror que será relembrado durante séculos”, afirmou Zelensky no vídeo publicado na noite de sábado, no qual disse que pressão sobre a cidade de Mariupol vai “ficar na história dos crimes de guerra”.
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Ucrânia espera abrir sete corredores humanitários este domingo
Depois dos dez corredores humanitários abertos no sábado, 19, este domingo, 20, são esperados mais sete, um deles em Mariupol, avança o “The Kyiv Independent”. A informação foi dada pela vice-primeira-ministra ucraniana, Iryna Vereshchuk.
Vereshchuk avança ainda que, desde o início da guerra, já foram retiradas 190 mil pessoas por estes corredores.
Sabe-se também que autoridades ucranianas recorreram a um corredor humanitário aberto em Sumy para retirar 71 crianças de um orfanato, segundo a BBC, que cita o governador da região, Dmytro Zhyvytskyi.
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Rússia aumenta “bombardeamentos indiscriminados” em cidades ucranianas
O ministério da Defesa do Reino Unido salienta que a Rússia tem aumentado “os bombardeamentos indiscriminados em áreas urbanas”, causando uma “destruição generalizada e um número elevado de baixas civis”, diz o mais recente relatório do ministério britânico.
“É provável que a Rússia continue a usar o seu poderoso armamento para levar a cabo ataques em áreas urbanas à medida que tenta limitar as suas próprias perdas consideráveis, à custa de mais baixas civis”, pode ainda ler-se numa publicação feita este domingo.
Zelensky proíbe 11 partidos ligados à Rússia
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou a suspensão da atividade de vários partidos políticos com ligações à Rússia através de um vídeo publicado na madrugada deste domingo. Zelensky proíbe assim a atividade de um total de 11 partidos, entre eles a Plataforma de Oposição pela Vida, liderado por Viktor Medvedchuk, com acentuada expressão na Ucrânia: tem 44 das 450 cadeiras no parlamento do país.
A suspensão está em vigor durante a lei marcial, anuncia o presidente ucraniano, que deixou ainda uma mensagem aos restantes partidos.
“Quero lembrar a todos os políticos em qualquer campo: o tempo de guerra mostra muito bem a pequenez das ambições pessoais daqueles que tentam colocar as suas próprias ambições, o seu próprio partido ou carreira acima dos interesses do Estado, dos interesses do povo”, disse Volodymyr Zelensky.
Suíça quer negociar paz com a Rússia
A Suíça “está pronta para desempenhar um papel de mediador nos bastidores ou para sediar negociações”, disse este sábado presidente suíço, Ignazio Cassis, citado pela CNN Portugal. O presidente considera que o facto de o pequeno país combinar “neutralidade com uma tradição humanitária” faz com que este seja uma boa aposta para ajudar nas negociações entre os países em guerra, afirmou numa sessão de apoio à Ucrânia, em Berna, que contou com a presença do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em videoconferência.
Ignazio Cassis vai viajar para a Polónia e Moldávia esta segunda-feira, 21 de março, para ficar a par da situação dos refugiados e sobre a ajuda humanitária fornecida pela Suíça.
China diz estar “do lado certo da história”
Na sexta-feira, 18 de março, o presidente dos EUA, Joe Biden, e o presidente da China, Xi Jinping, estiveram reunidos numa conversa telefónica para perceber o ponto de vista da China sobre o conflito. A China, que antes da reunião já tinha prestado ajuda à Ucrânia, continua a reforçar uma posição de neutralidade sobre a invasão da Rússia e diz estar “do lado certo da história”.
“A China continuará a fazer um julgamento independente com base nos méritos do próprio assunto e de maneira objetiva e justa. Nunca aceitaremos qualquer coerção ou pressão externa, e também nos opomos a quaisquer acusações e suspeitas infundadas contra a China”, pode ler-se numa publicação feita na madrugada domingo no Twitter do ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.