A família da vítima do voo AI171 teme até que o corpo tenha sido cremado por engano. Acidente aéreo aconteceu em junho.
Fiongal Greenlaw-Meek, de 39 anos, e o marido, Jamie, de 45, estavam entre as 242 vítimas mortais do acidente aéreo que ocorreu a 12 de junho, junto ao aeroporto de Ahmedabad, na Índia. O casal regressava ao Reino Unido no voo AI171 da Air India, que se despenhou poucos segundos após descolar com destino ao aeroporto de Gatwick, em Londres.
A irmã de Fiongal Greenlaw-Meek, Arwen, afirma que a família está devastada e exige explicações às autoridades indianas, depois de o corpo do irmão ter sido, alegadamente, mal identificado. A hipótese de que os restos mortais do irmão possam ter sido entregues a outra família ou cremados por engano está a deixá-la revoltada e desesperada.
“Se não for possível recuperar o corpo, porque o pior cenário é que tenha sido cremado como se fosse outra pessoa, então precisamos de saber para podermos seguir em frente”, disse, em declarações à BBC, citada pelo “Mirror“. A família apela à responsabilização dos responsáveis pela gestão dos corpos após o acidente e quer garantir que o irmão seja tratado com a dignidade que merece.
A mulher acusa as autoridades indianas de não terem estabelecido protocolos forenses adequados no local do desastre. Segundo relata, a zona do acidente permaneceu acessível durante dois dias após a queda do avião, o que comprometeu a recolha e identificação dos corpos, segundo a mesma publicação.
“Isto não pode voltar a acontecer”, afirmou. “Toda a nossa família ficou, e continua, em estado de choque. São coisas que costumamos ver nas notícias, mas que nunca pensamos que nos vão acontecer. É uma situação tão absurda que custa a acreditar”, acrescentou a irmã de Fiongal Greenlaw-Meek.
O casal era conhecido por ter fundado a plataforma espiritual The Wellness Foundry e tinha viajado até à Índia para participar num retiro de bem-estar de 10 dias. Antes da tragédia, a dupla publicou um último vídeo no Instagram, no qual podia ser vista à espera do embarque.
Veja o vídeo
Nas últimas semanas, vieram a público vários erros graves no processo de repatriamento das vítimas. Num dos casos, uma família foi forçada a cancelar o funeral ao ser informada de que o corpo no caixão não correspondia ao do seu familiar. Noutro, foram encontrados restos mortais de mais do que uma pessoa no mesmo caixão, o que obrigou a uma nova separação antes da cerimónia fúnebre.
A bordo do avião seguiam 242 pessoas, dos quais 230 eram passageiros e 12 tripulantes. Apenas uma pessoa sobreviveu ao acidente: Vishwash Kumar Ramesh, um homem britânico de 40 anos, que seguia no lugar 11A. A Air India confirmou que morreram 241 pessoas, entre elas 53 cidadãos britânicos, 169 indianos, sete portugueses e um canadiano.