Jill Biden. Próxima primeira-dama dos EUA não vai deixar de trabalhar. “Ensinar é o que eu sou”

Determinada desde jovem, a futura primeira-dama foi um forte apoio na campanha presidencial do marido. Professora há mais de três décadas, já fez saber que não vai deixar de leccionar Inglês, mesmo quando Joe Biden tomar posse.

Jill Biden é a próxima primeira-dama dos Estados Unidos e, em janeiro de 2021, quando se mudar para a Casa Branca com o marido, o presidente-eleito Joe Biden, vai marcar a diferença por ser a primeira mulher com este cargo a manter a sua ocupação profissional.

Professora de Inglês na Universidade Comunitária da Virgínia do Norte, onde ensina há mais de 10 anos, Jill Biden não planeia abandonar o seu emprego, apesar das responsabilidades que tem pela frente como primeira-dama. Mas esta não é a primeira vez que a norte-americana equilibra a balança: durante o mandato presidencial de Barack Obama, Jill não deixou de trabalhar mesmo enquanto Joe Biden manteve funções como vice-presidente dos Estados Unidos.

Mas afinal quem é Jill Biden, a professora de 69 anos que faz as manchetes dos jornais nos últimos dias, desde que o marido foi eleito numa das eleições mais concorridas dos Estados Unidos? Nascida Jill Jacobs, em junho de 1951, no estado de New Jersey, a norte-americana é a mais velha de cinco irmãs, e cresceu nos subúrbios de Filadélfia.

Independente desde cedo, sempre quis ter uma carreira e começou a trabalhar aos 15 anos como empregada de mesa. Concluiu o ensino secundário em 1969, e entrou na universidade para estudar marketing de moda, mas acabou por não achar o curso satisfatório. Em fevereiro de 1970, casa com Bill Stevenson, um jogador de futebol americano universitário, e ambos decidem matricular-se na Universidade do Delaware, onde Jill começa a estudar Inglês.

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Jill Biden não vai deixar de trabalhar, mesmo quando chegar à Casa Brancacréditos: Instagram / Jill Biden

Depois de um primeiro encontro às cegas, Joe Biden pediu Jill em casamento cinco vezes

Logo no primeiro ano de universidade, o casal começa a afastar-se, e acaba por se divorciar. Pela mesma altura, Jill Biden opta por interromper os estudos durante um ano, e acaba por fazer alguns trabalhos como modelo para juntar dinheiro nesse período de tempo.

E é exatamente devido a um desses trabalhos que Jill é hoje mulher de Joe Biden: depois de reparar num anúncio protagonizado pela modelo numa paragem de autocarros, Joe tentou encontrar o contacto de Jill e os dois acabaram por combinar um encontro às cegas na primavera de 1975.

O atual presidente-eleito estava viúvo há três anos, depois de a primeira mulher ter morrido num aparatoso acidente de viação. No mesmo acidente, Joe Biden perdeu a filha mais nova, com 1 ano de idade, e tornou-se pai solteiro de dois rapazes, Beau e Hunter, que também estavam no carro com a mãe e a irmã, mas sobreviveram ao desastre.

Na época, Joe Biden era senador. O atual presidente-eleito tinha 33 anos, a agora mulher 24. “Estava habituada a sair com rapazes de calças de ganga e t-shirt, ele [Joe Biden] apareceu à minha porta de casaco e mocassins, e pensei logo: ‘Deus, isto nunca vai resultar, nem num milhão de anos'”, disse Jill Biden numa entrevista à “Vogue”. “Ele era nove anos mais velho do que eu. Mas fomos ao cinema, e houve química.”

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Joe viu a atual mulher pela primeira vez num anúncio numa paragem de autocarros.créditos: Instagram / Jill Biden

O casal nunca mais se largou desde esse primeiro encontro, mas Joe Biden teve que ser muito insistente para conseguir levar a mulher até ao altar: pediu-a em casamento cinco vezes, até Jill dizer que sim. No entanto, o que impedia a professora de Inglês de aceitar o pedido não era falta de amor, mas sim a necessidade de ter certezas sobre o seu futuro junto de Biden, para não causar ainda mais tristeza a uma família que já tinha passado por uma grande tragédia.

“Não podia fazer com que eles perdessem outra mãe”, explicou numa entrevista, referindo-se aos filhos mais velhos de Joe Biden. “Tinha de ter 100% de certeza.” À quinta, foi de vez, e Joe e Jill casaram-se em 1977, em Nova Iorque. Jill ajudou o marido a criar os filhos mais velhos e, quatro anos depois do casamento, nasce Ashley, a primeira e única filha em comum.

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Joe e Jill Biden com os três filhos.créditos: Instagram / Jill Biden

Dois anos depois do nascimento da filha, Jill decidiu regressar aos estudos mais uma vez. Enquanto trabalhava num hospital psiquiátrico — onde ensinou Inglês a adolescentes com distúrbios emocionais durante cinco anos —, a futura primeira-dama tirou dois mestrados na sua área, e começou a trabalhar como professora de Inglês: primeiro no liceu de Claymont, onde permaneceu durante três anos, e depois na Universidade Comunitária Técnica do Delaware. Jill tem também um doutoramento em Educação da Universidade do Delaware, que concluiu em 2007.

Em janeiro, Jill chega à Casa Branca como primeira-dama — mas quer continuar a ser professora

Em 2009, Jill torna-se professora de Inglês na Universidade Comunitária da Virgínia do Norte, emprego que mantém até hoje. Curiosamente, é exatamente nesse mesmo ano que Joe Biden chega a vice-presidente dos Estados Unidos, durante o mandato de Barack Obama. E ainda que com todas as responsabilidades inerentes à posição de mulher do vice-presidente da nação norte-americana, Jill mantém o seu trabalho como professora, mas equilibra as duas funções e envolve-se com várias associações não-governamentais.

Devido à carreira militar de um dos seus enteados, Beau, uma das associações com quem Jill decide trabalhar é a Delaware Boots on the Ground, que se dedica a ajudar as famílias dos militares durante o tempo em que estes estão fora do país a combater. Juntamente com a primeira-dama na época, Michelle Obama,  Jill lança a iniciativa Joining Forces, cujo objetivo é providenciar educação, oportunidades de emprego, serviços de saúde e outras ajudas ao pessoal militar e também às suas famílias.

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Jill sempre apoiou a longa carreira política do marido.créditos: Instagram / Jill Biden

Em 2012, ano em que Jill escreve o livro infantil “Don’t Forget, God Bless Our Troops”, baseado na história da neta, filha de militares, Joe Biden é reeleito como vice-presidente de Obama. Em 2015, a família volta a sofrer uma tragédia com a morte de Beau, um dos filhos do primeiro casamento de Joe Biden, que perde a luta contra um cancro no cérebro.

Mesmo depois de Joe Biden deixar o cargo de vice-presidente em 2017, Jill continua o seu trabalho com famílias de militares, e também se mantém ativa na luta pelos direitos das jovens raparigas e mulheres na Zâmbia, República do Congo e Serra Leoa.

Apesar de Joe Biden pensar em retirar-se da vida política, depois de uma carreira de mais de quatro décadas, o marido de Jill decidiu adiar a reforma por não concordar com as políticas de Donald Trump e candidatou-se à presidência dos Estados Unidos. A escolha foi apoiada por Jill, que se tornou uma voz ativa durante toda a campanha presidencial, e terá mesmo estado envolvida na escolha de Kamala Harris para vice-presidente — mas sem nunca esquecer a sua carreira.

“Ensinar não é o que eu faço, é o que eu sou”, escreveu numa publicação no Twitter em agosto deste ano, algo que podia fazer antever os planos de Jill Biden. Mesmo com o marido a tomar posse como o 46.º presidente dos Estados Unidos, algo que deverá acontecer a 20 de janeiro de 2021, a professora não tem intenções de deixar o seu emprego na Universidade Comunitária da Virgínia do Norte.

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