Membros da realeza podem casar com pessoas do mesmo sexo — pelo menos, nos Países Baixos

20 anos depois da legalização do casamento homossexual, em 2001, o primeiro-ministro dos Países Baixos confirma que membros da realeza podem casar com pessoas do mesmo sexo, sem que a sucessão ao trono seja condicionada.

Em 2001, a Holanda, atualmente denominada Países Baixos, foi o primeiro país a legalizar o casamento homossexual. Esta terça-feira, 12 de outubro, 20 anos depois, o primeiro-ministro dos Países Baixos, Mark Rutte, esclareceu que os membros da realeza podem casar com pessoas do mesmo sexo sem ter de abdicar da linha de sucessão ao trono.

A princesa Catharina-Amalia, aparente herdeira ao torno dos Países Baixos, completa 18 anos já em dezembro e tem luz verde, por parte do governo, para casar com uma pessoa do mesmo sexo, se for esse o desejo.

Isto porque, ao contrário dos restantes casamentos, aqueles que acontecem no seio da família real carecem de aprovação do parlamento.

Com a herdeira prestes a atingir a maioridade, livros recentemente publicados alegaram que as regras do país excluíam a possibilidade de um casamento gay entre os membros da realeza. Esta terça-feira, 12, o primeiro-ministro Mark Rutte fez questão de esclarecer todas as dúvidas, numa carta endereçada ao parlamento.

“[O governo] acredita que o herdeiro também se pode casar com uma pessoa do mesmo sexo (…) O gabinete, portanto, não vê que um herdeiro ao trono ou o rei deva abdicar se quiser casar com um parceiro do mesmo sexo“, garantiu, segundo a Reuters, citada pelo jornal “Observador“.

Na sequência da decisão do primeiro-ministro, surgiram dúvidas face às possíveis repercussões que um casamento gay poderia ter na linha de sucessão ao trono. No entanto, Mark Rutte descarta a necessidade de refletir sobre o tópico, pelo menos para já, sendo que tudo “depende dos factos e circunstâncias do caso específico”.

Apesar das especulações, a princesa Catharina-Amalia não teceu, até à data, qualquer comentário relativo à sua orientação sexual.

Pouco se sabe sobre a vida da filha mais velha do rei Guilherme Alexandre, que ascendeu ao trono em 2013, à exceção da confirmação de que recusou a bolsa de estudo a que teria direito enquanto estudante prestes a ingressar na faculdade.

Numa carta endereçada ao primeiro-ministro, a princesa fez questão de recusar o valor de 1,6 milhões de euros anuais a que tinha direito enquanto estudante, avança o jornal “The Guardian“. “A 7 de dezembro de 2021 terei 18 anos e, de acordo com a lei, recebo um subsídio”, disse a princesa, acrescentando que decidiu recusar, por considerar “desconfortável” aceitar o dinheiro, num período marcado pela situação pandémica.

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