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Polémica em Espanha. Pedro Sánchez continua como primeiro-ministro após ameaça de demissão. Mulher é suspeita de corrupção

A decisão de Pedro Sánchez foi anunciada na manhã desta segunda-feira, 29 de abril. A queixa de que Begoña Gómez é alvo foi feita por parte de um grupo ligado à extrema-direita.

Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, decidiu manter-se no cargo depois de ter sido noticiado que a sua mulher, Begoña Gómez, era alvo de uma investigação por corrupção e tráfico de influências. A decisão foi anunciada esta segunda-feira, 29 de abril, às 11 horas locais (10 horas em Portugal).

“Decidi continuar a ser primeiro-ministro”, anunciou num discurso emotivo para a nação, após cinco dias de reflexão. “Se aceitarmos que a política implica atacar pessoas inocentes, não vale a pena”, acrescentou. “Não há honra que justifique o sofrimento das pessoas que mais amamos”, continuou.

“A campanha de difamação dirigida contra mim e a minha família não vai parar. Mas nós conseguimos aguentar: o importante é que queremos agradecer as manifestações de solidariedade recebidas de todas as áreas”, afirmou.

Na quarta-feira, 24 de abril, foi noticiado que tinha sido aberta uma investigação preliminar a Begoña Gómez por suspeitas de corrupção e tráfico de influências, na sequência de uma queixa criminal apresentada pela Manos Limpias.

Segundo a acusação, enquanto a mulher do primeiro-ministro espanhol trabalhou no IE Business School e na Universidade Complutense de Madrid, Begoña Gómez encontrou-se várias vezes com os donos da Globalia, uma empresa que detém a Air Europa. Mais tarde, com a pandemia COVID-19, recebeu apoio financeiro e a Manos Limpias considera que esta situação teve o dedo da mulher de Pedro Sánchez. 

Além disso, a queixa também alega que Begoña Gómez interveio para que o governo espanhol favorecesse um empresário que participou num programa que esta supervisionou na Universidade Complutense de Madrid. Quando o empresário se candidatou a um contrato público, apresentou 32 cartas de recomendação, uma delas assinada pela mulher.

A queixa do grupo ligado à extrema-direita Manos Limpias, fundado pelo advogado Miguel Bernard em 1995 e registado como sindicato, mas com a principal atividade de processar grupos frequentemente ligados a causas progressistas, consiste numa carta acompanhada de recortes de imprensa, mas não tem provas concretas para sustentar as acusações.

Segundo o que o “Politico” apurou com os juristas espanhóis, a queixa não cumpre os requisitos legais para acusar alguém de um crime. Como tal, na manhã de quinta-feira, 25 de abril, os procuradores pediram que o processo fosse arquivado.

Pedro Sánchez diz estar farto dos ataques por parte da extrema-direita à sua família desde que foi eleito líder do Partido Socialista espanhol, em 2014. Durante vários anos, foram espalhados rumores sobre a mulher, nomeadamente que esta era na realidade um homem e que o seu nome verdadeiro seria Begoño, que a família era proprietária de uma rede de clubes de sexo e estava envolvida em operações internacionais de contrabando de droga.

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