A descoberta fez-se depois de uma grande operação do FBI que chegou também a Portugal, e um dos IP dos computadores investigados era o do Ministério da Justiça, acabado por chegar ao computador do advogado.
Paulo Abreu dos Santos, adjunto da antiga ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, está a ser indiciado pelos crimes de pornografia infantil e abuso sexual de menores depois de terem sido encontrados no seu computador pessoal vários conteúdos de sexo explícito com crianças, e já terá confessado os crimes. Ao que tudo indica, segundo avançou o “Correio da Manhã“, há inclusive a possibilidade de duas das crianças que se encontram nos vídeos, ambas portuguesas e com 10 anos, sejam filhos de conhecidos do advogado.
A descoberta fez-se depois de uma grande operação do FBI que chegou também a Portugal, e um dos IP (uma representação numérica de onde um dispositivo está ligados à internet) dos computadores investigados era o do Ministério da Justiça, que acabou por também encontrar o computador pessoal de Paulo Abreu dos Santos. Ao investigar, o FBI pediu ajuda à Polícia Judiciária, e numa busca com a presença de um juiz em casa de Paulo Abreu dos Santos, foram encontrados cerca de 500 ficheiros de imagens e vídeos de sexo explícito.
Pelas informações obtidas, sabe-se que as crianças que aparecem nos conteúdos têm todas entre os 4 e os 14 anos, sendo que duas delas, ambas com 10 anos, já se sabe que são portuguesas – quanto a estas últimas, suspeita-se que Paulo Abreu dos Santos tenha usado menores do seu próprio círculo de amizade, mas sem conhecimento dos familiares. Desta forma, tudo indica que algumas das imagens confiscadas tenham sido filmadas com o telemóvel do próprio advogado.
Isto representa assim um crime de abuso sexual de crianças, onde cada crime pode dar até oito anos de prisão. O advogado de 38 anos está também indiciado pelo crime de pornografia infantil, que prevê uma pena máxima de cinco anos, mas Paulo Abreu dos Santos pode na verdade ser sentenciado a várias centenas de anos na prisão, uma vez que todos os ficheiros encontrados representam um crime autónomo. No entanto, em Portugal, o advogado arrisca-se à pena máxima de 25 anos.
De momento, Paulo Abreu dos Santos encontra-se em prisão preventiva, depois de ter sido presente a tribunal e de ter confessado os crimes. O advogado trabalhava, até há uns dias (ainda antes de se saber da investigação), na sociedade Ana Bruno & Associados, que num comunicado explicou que os colegas estavam “surpreendidos pelas notícias que reportam o envolvimento do antigo colaborador, Dr. Paulo Abreu Santos, no âmbito de uma investigação criminal de contornos graves”.