A depressão Kristin passou por Portugal esta quarta-feira, 28 de janeiro, e deixou um rasto de destruição material e humana. Saiba o que vem a seguir.
A depressão Kristin, que se fez sentir esta quarta-feira, 28 de janeiro, continua a deixar um rasto profundo em Portugal, com a atualização dos dados a confirmar um agravamento dos danos humanos e materiais. O fenómeno, que entrou pelo litoral centro, atingiu com particular violência vários distritos, obrigando as autoridades a manter níveis máximos de prontidão e a prolongar medidas excecionais no terreno.
Leiria surge como uma das zonas mais afetadas do País, com danos estruturais significativos e falhas prolongadas nos serviços essenciais. As imagens captadas na região, que estão a ser divulgadas de forma persistente nas redes sociais, ilustram a força extrema das rajadas de vento e ajudam a compreender a dimensão da destruição causada pela tempestade.
Paralelamente, o quotidiano de milhares de pessoas continua condicionado, com cortes de eletricidade, água e comunicações, além do encerramento prolongado de escolas em vários concelhos. As autarquias admitem que a reposição da normalidade está dependente da evolução dos trabalhos técnicos e da segurança das infraestruturas.
Apesar de a depressão Kristin ter sido a mais severa das últimas semanas, os especialistas alertam que o padrão atmosférico responsável por este episódio permanece ativo, pelo que os próximos dias continuarão a ser marcados por instabilidade meteorológica e necessidade de vigilância reforçada. Mas vamos por pontos.
Número de mortos sobe para seis
O mais recente balanço oficial confirma seis vítimas mortais em Portugal Continental na sequência direta da passagem da depressão Kristin. De acordo com o “Jornal SOL“, três das mortes ocorreram no concelho de Leiria, uma em Vila Franca de Xira, uma em Silves e outra na Marinha Grande.
No distrito de Leiria, as autoridades locais esclareceram que as vítimas foram atingidas por estruturas metálicas arrancadas pelo vento e por situações associadas a trabalhos em infraestruturas energéticas. No Algarve, uma das vítimas foi encontrada no interior de uma viatura arrastada pela corrente de uma ribeira, no concelho de Silves.
Leiria está entre os distritos mais afetados
Leiria terá sido um dos distritos mais afetados do País, concentrando alguns dos danos mais extensos e graves registados até ao momento. As fortes rajadas de vento provocaram a destruição de infraestruturas críticas, deixando vastas áreas do concelho sem eletricidade e comunicações, numa situação que as autoridades dizem ser de elevada complexidade operacional.
O impacto foi tal que, de acordo com declarações do comandante Paulo Santos à CNN Portugal, Leiria “foi arrasada”. Além das perdas humanas registadas no concelho, a tempestade comprometeu seriamente equipamentos públicos, estruturas desportivas, como o Estádio Municipal de Leiria, e edifícios residenciais, obrigando à interrupção de serviços essenciais e dificultando o acesso a algumas zonas.
Cortes de luz, água e comunicação persistem pelo País fora
De acordo com informações divulgadas pela “Executive Digest“, continuam a registar-se falhas no fornecimento de eletricidade, água e comunicações em vários concelhos, sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa. As autoridades admitem que a reposição total dos serviços poderá ser gradual, uma vez que muitos dos danos afetam infraestruturas críticas e exigem intervenções técnicas complexas.
Escolas continuam encerradas em vários concelhos
Apesar de o pior já parecer ter passado, o encerramento de estabelecimentos de ensino mantém-se em vigor em vários concelhos. É o caso de Ansião, Marinha Grande, Pedrógão Grande e Pombal. Já no concelho de Castelo Branco, a revista “Sábado” dá conta de que várias escolas e jardins de infância permanecem fechados por falta de condições de segurança e pela ausência de eletricidade e comunicações.
O mesmo se aplica, diz a RTP, ao município da Sertã, que ativou o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil às primeiras horas da manhã de quarta-feira, em virtude da passagem da depressão Kristin pelo concelho. Em quase todos os casos, desconhece-se a data de reabertura dos estabelecimentos de ensino.
Vêm aí mais tempestades?
Segundo o climatologista Carlos Câmara, citado pelo “Expresso“, embora não estejam previstos fenómenos com a mesma intensidade imediata, os modelos meteorológicos apontam para pelo menos duas novas depressões em formação no Atlântico. Estas deverão trazer vento e chuva persistentes até ao final da semana, num contexto que os especialistas associam às alterações climáticas e ao aumento da frequência e intensidade de eventos extremos.
O que recomenda a Proteção Civil?
Apesar da tendência de melhoria, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil alerta que muitos dos efeitos do mau tempo podem ser minimizados com a adoção de comportamentos adequados. Entre as principais recomendações estão a desobstrução de sistemas de escoamento de águas pluviais, a fixação adequada de estruturas soltas e a especial atenção à circulação em zonas arborizadas, devido ao risco de queda de ramos e árvores.
A Proteção Civil recomenda ainda evitar a circulação e permanência junto da orla costeira e zonas ribeirinhas vulneráveis, não praticar atividades relacionadas com o mar, adotar uma condução defensiva e não atravessar zonas inundadas. As autoridades apelam também à restrição de deslocações não essenciais e à atenção permanente às informações meteorológicas e às indicações oficiais, enquanto decorrem os trabalhos de reposição da normalidade.
