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Limitar as viagens entre os diferentes países não faz sentido, dizem especialistas

Muitos países estão a tomar as decisões com base no critério dos novos casos por 100 mil habitantes registados na última semana, mas para o Centro Europeu de Controlo de Doenças não faz sentido impor restrições de viagens.

Ao que parece as restrições de viagens não constituem “um meio eficaz de redução da transmissão dentro da União Europeia uma vez que a transmissão comunitária está em curso” em todo o espaço económico europeu. A opinião é do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) e foi relevada no último relatório de avaliação de risco publicado esta quinta-feira, 2 de julho.

Além disso, os dados do European Surveillance System indicam que, em junho, “apenas 3% dos casos confirmados” terão sido infectados noutro país. De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças não faz sentido restringir as passagens uma vez que os novos surtos de COVID-19 acabaram por surgir em vários estados da União Europeia na segunda metade de junho.

Estas revelações acontecem numa altura em que vários países decidiram limitar ou proibir a entrada de cidadãos provenientes de Portugal, como é o caso da Dinamarca, e alguns baseiam-se no critério dos novos casos por 100 mil habitantes registados na última semana para restringir as viagens. Seguindo este critério, Portugal é um dos países em pior situação (47.4 novos casos por 100 mil habitantes) logo a seguir à Suécia que está em primeiro lugar (149.4), de acordo com os dados do relatório do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças.

Contudo, o aumento ou diminuição dos casos em toda a Europa podem resultar de diversos fatores: desde a maior aposta na testagem, o surgimento de grandes surtos localizados e do levantamento progressivo das restrições e do regresso à normalidade, observa o ECDC.

“Era expectável que, a partir do momento em que diminuíram as restrições, a tendência fosse de subida”, esclarece Paulo Santos, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e investigador do Cintesis (Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde), ao jornal “Público“. O mesmo também defende que o fecho de fronteiras não faz sentido e que a “União Europeia tem que começar a raciocinar como um todo”.

Ainda não se sabe que países vão ou não permitir a entrada de turistas, mas para já aguarda-se a decisão do Reino Unido relativamente a Portugal. A cada país será concedido um estatuto – que poderá ter cores diferentes consoante os cidadãos precisem de ser sujeitos a quarentena à chegada (vermelho), se apenas serão obrigados a preencher um formulário que permita localizá-los em caso de infecção (amarelo) ou se ficam livres de qualquer tipo de restrição (verde).

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