João Canijo foi encontrado morto em casa, em Vila Viçosa, esta quinta-feira, 29 de janeiro, já um dia depois de ter morrido.
O cineasta português João Canijo morreu na quarta-feira, 28 de janeiro, aos 68 anos, vítima de um ataque cardíaco fulminante, diz a “TV7 Dias“, que acrescenta que o corpo só foi encontrado no dia seguinte, pela empregada doméstica. A morte do cineasta, que construiu uma carreira marca por um olhar cru e exigente da sociedade portuguesa, ocorreu perto de Vila Viçosa, no distrito de Évora, onde vivia.
João Canijo nasceu no Porto, a 10 de dezembro de 1957, frequentou o curso de História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mas acabou por seguir o cinema. Primeiro, iniciou o percurso como assistente de realização de nomes maiores do cinema europeu, como Manoel de Oliveira, Wim Wenders, Alain Tanner e Werner Schroeter, e só em 1988 é que assinou a sua primeira longa-metragem, “Três Menos Eu”.
Ao longo da carreira, realizou mais de uma dezena de filmes, além de documentários e trabalhos para teatro e televisão. O repertório tem títulos bastante marcantes (e sonantes), como “Noite Escura” (2004), “Sangue do Meu Sangue” (2011), “Viver Mal” (2023) e “Mal Viver” (2023), estes dois últimos concebidos como um díptico.
Aliás, foi precisamente com “Mal Viver” que João Canijo alcançou um dos maiores reconhecimentos internacionais do cinema português, ao conquistar o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim, em 2023. O filme viria ainda a ser distinguido em vários festivais internacionais e foi escolhido como candidato de Portugal à nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional.
Mas a lista de prémios de João Canijo não se fica por aqui. O realizador venceu três Globos de Ouro de Melhor Filme, com “Noite Escura”, “Sangue do Meu Sangue” e “É o Amor”, e recebeu múltiplos prémios nacionais e internacionais, incluindo distinções nos Sophia, em Montevideu e em Las Palmas.
À data da morte, João Canijo encontrava-se a finalizar um novo filme, “Encenação”, e trabalhava também na filmagem de uma peça de teatro, voltando a colaborar com atrizes recorrentes da sua obra, como Rita Blanco, Anabela Moreira e Beatriz Batarda.
