Portugal não assina carta sobre direitos LGBT na Hungria e justifica por “dever de neutralidade”

Num dia em que 13 países da União Europeia se manifestaram perante uma lei húngara considerada “discriminatória para as pessoas LGBT”, Portugal decide ficar de fora. “Dever de neutralidade” foi a justificação dada.

Foram 13 países da União Europeia que endereçaram uma carta à Comissão onde apelam a que o executivo comunitário utilize “todos os instrumentos à sua disposição para garantir o pleno respeito do direito europeu”, perante uma lei húngara considerada “discriminatória para as pessoas LGBT”, mas Portugal decidiu ficar de fora.

A carta manifesta-se contra a decisão do parlamento da Hungria que, na passada terça-feira, 15 de junho, aprovou uma nova legislação que proíbe a divulgação de conteúdo que “mostre ou promova a sexualidade, a mudança de sexo ou a homossexualidade a menores de 18 anos”.

“Expressamos a nossa profunda preocupação quanto à adoção, pelo parlamento húngaro, de legislação discriminatória em relação às pessoas LGBTQI (lésbicas, gays, bissexuais, transgénero, quer e intersexuais) e que viola o direito à liberdade de expressão sob o pretexto de proteger as crianças”, lê-se no texto redigido por iniciativa da Bélgica e assinado por mais 12 Estados-membros: Holanda, Luxemburgo, França, Alemanha, Irlanda, Espanha, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Estónia, Letónia e Lituânia, noticia a “SIC Notícias”. 

Portugal não consta na lista e esta terça-feira, 22, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus defendeu que não subscreveu a carta devido ao “dever de neutralidade” que tem enquanto presidência do Conselho da UE.

“Não assinei o documento porque assumimos atualmente a presidência e temos um dever de neutralidade. Estava a decorrer ao mesmo tempo o debate no Conselho [os Estados-membros debateram hoje o respeito pelo Estado de direito na Hungria e na Polónia], e nós temos o papel de ‘mediador honesto’ que tem um preço: o preço é o de que não pudemos assinar o documento hoje”, afirmou Ana Paula Zacarias, citada pelo “Diário de Notícias”. 

Apesar da decisão, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus afirmou que a “posição de Portugal é muito clara” sobre o assunto e que teria assinado a carta se tivesse sido a título individual. “A posição de Portugal é muito clara no que se refere à tolerância, ao respeito pela liberdade de expressão, e aos direitos das pessoas LGBTIQ. Não há absolutamente nenhuma dúvida sobre a posição de Portugal nesta questão”, disse Ana Paula Zacarias citada pelo mesmo jornal.

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