Uma fusão entre a PSP e o SEF? “Não confirmo nem desminto”, diz Eduardo Cabrita

Na sequência das declarações do diretor nacional da PSP (que referiu a hipótese de se fundir a PSP e o SEF), Eduardo Cabrita frisa que estas matérias “não são anunciadas por diretores de Polícia”.

Manuel Magina da Silva, diretor nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), admitiu no domingo, 13 de dezembro, que a fusão entre o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e a PSP já tinha sido uma questão abordada com Marcelo Rebelo de Sousa. O presidente da República pediu da restruturação do SEF, na sequência da polémica morte de Ihor Homeniuk, que terá perdido a vida no aeroporto de Lisboa, às mãos de três inspetores deste organismo de controlo de fronteiras.

“O que tem sido anunciado e tem sido trabalhado com o Ministério da Administração Interna passará não pela absorção, mas pela fusão entre a PSP e o SEF”, disse Magina da Silva, na sequência de um encontro com o presidente. O diretor nacional da PSP relatou ainda ter “proposto, de forma muito direta” a extinção dos dois serviços, com vista à criação de apenas um.

Na sequência disto, Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, afirmou que “o programa do Governo prevê uma separação orgânica clara entre funções policiais e funções administrativas de autorização e documentação de imigrantes do SEF”, frisando ainda que está a decorrer um trabalho “envolvendo as forças de segurança sobre a redefinição do exercício das funções policiais nestas áreas de gestão de fronteiras e de combate às redes de tráfico humano.

No entanto, estas questões “obviamente, com todo o respeito, não são anunciadas por diretores de Polícia”, frisou. “Esta é uma matéria que o governo está a trabalhar, envolvendo diretamente o primeiro-ministro, os ministérios da Administração Interna., dos Negócios Estrangeiros , da Justiça e a Presidência do Conselho de Ministros. É neste quadro de envolvimento direto do primeiro-ministro e de quatro áreas governativas que teremos brevemente de modo adequado a explicação daquilo que é a forma de dar expresso cumprimento ao Programa do Governo.”

Questionado sobre a possibilidade de se extinguir a PSP e o SEF para se dar lugar a uma polícia nacional, à semelhança do modelo francês ou espanhol, Cabrita não deu pistas: “Não confirmo nem desminto.”

“O que decorre do Programa do Governo é a separação de funções policiais e de funções administrativas do SEF, o que envolve uma redefinição do exercício de competências de várias forças de segurança”, disse, nomeando a PSP, a GNR e a Polícia Judiciária.

Na sequência das declarações de Magina da Silva, a direcção-nacional PSP emitiu um comunicado destacando que as afirmações do diretor refletiram apenas a sua “visão pessoal”, ressalvando que este não pretendia “condicionar qualquer reestruturação em curso do sistema de segurança interna, lamentando que as suas declarações tenham sido interpretadas dessa forma.”

O mesmo comunicado destaca o facto da restruturação figurar uma oportunidade para a “atualização” da designação de Polícia de Segurança Pública para Polícia Nacional faria o país ir ao encontro da “nomenclatura atribuída às pessoas de natureza civil dos países em que existe um sistema dual de forças” — uma civil e outra militar.

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