Santiago Salvador e a namorada estavam num dos comboios que descarrilou no final do dia de domingo, 18 de janeiro, em Espanha. Veja o testemunho.
Um casal português está entre os sobreviventes do trágico acidente que envolveu dois comboios de alta velocidade no final do dia de domingo, 18 de janeiro, em Adamuz, na província de Córdoba, Espanha. O impacto, que envolveu os três últimos vagões do comboio da operadora privada Iryo, que seguia de Málaga para Madrid, e os primeiros do comboio Renfe Alvia, que se dirigia de Madrid para Huelva, está a ser considerado um dos acidentes ferroviários mais graves do país nas últimas décadas, e já contabiliza 41 mortes e 39 internamentos.
Santiago Salvador e a namorada iam na primeira carruagem do comboio com destino a Huelva quando sentiram o embate, e o jovem descreve o momento num vídeo publicado no Instagram como algo “trágico que parecia um inferno”, enquanto se encontra deitado numa cama de hospital e com a cara cheia de cortes. “Neste momento estou bem, estou vivo, contente por estar bem e com muita força”, começou por dizer. “Foi um acidente muito trágico, parecia um inferno. Havia pessoas muito feridas.”
“A minha foi ligeira, só parti a tíbia e o períneo. Tive o acidente, estava com a minha namorada, comecei a voar pela carroça e parecia que estava num carrossel. Por sorte estou vivo, a minha namorada também está bem. Foi uma força divina, e é um milagre estar vivo porque foi um momento onde vi muitos mortos”, disse Santiago, deixando depois uma mensagem de força. “Há que viver a vida porque a vida é curta, e agradecer a todas as pessoas que tenham ao lado. Não se chateiem por parvoíces, um dia estás aqui e noutro dia estás no Céu”, rematou.
As autoridades espanholas confirmaram, de acordo com o “El País“, que o número de mortes no trágico acidente já subiu para 41. Quanto a feridos, 81 já tiveram alta hospitalar e 39 pessoas continuam internadas nos hospitais, sendo que 13 delas se encontram em cuidados intensivos. Pelo menos 43 pessoas continuam desaparecidas.
O descarrilamento aconteceu num troço de linha recentemente renovado, o que está a levantar questões sobre as causas do acidente, que ainda estão a ser investigadas. Os serviços ferroviários de alta velocidade entre Madrid e a Andaluzia estão suspensos depois do desastre, mas a empresa garante que o comboio tinha sido aprovado na última inspeção há quatro dias.