Ex da filha da atriz Delfina Cruz já a tinha ameaçado de morte. PJ investiga desaparecimento misterioso

Maria Custódia Amaral, 54 anos, tinha tido uma relação tóxica recente, com ameaças à mistura. O ex-namorado tinha voltado a sair com a filha da atriz Delfina Cruz e terá sido das últimas pessoas a vê-la. Já foi ouvido pela PJ, que investiga o desaparecimento da mulher. Conheça toda a história

A filha da atriz Delfina Cruz, Maria Custódia Amaral, está desaparecida desde segunda-feira, 19 de janeiro, e a Polícia Judiciária continua a investigar o caso, mas há um novo dado: a mulher estava a sair novamente com um ex-namorado que já a havia ameaçado de morte. E este homem terá mesmo sido uma das últimas pessoas a ver Maria Custódia Amaral, revela o “Correio da Manhã” deste sábado, 24 de janeiro.

Durante meses, Maria Custódia Amaral, promotora imobiliária, viveu uma relação que os mais próximos da filha da atriz Delfina Cruz descrevem como “profundamente tóxica”. Ciúmes constantes, insultos e episódios de perseguição levaram ao fim do relacionamento em 2024. Ainda assim, a relação terá sido retomada recentemente — uma decisão que Maria optou por esconder da família e dos amigos. O receio de expor uma história dolorosa acabou por criar um manto de silêncio que hoje pesa na investigação, pode ainda ler-se no “CM”. Este ex-companheiro já terá tido problemas de consumo de droga e dificuldades financeiras. São elementos que, embora não constituam prova, estão agora a ser avaliados no contexto do desaparecimento.

As últimas horas conhecidas

Na manhã de segunda-feira, Maria e o ex-namorado terão mesmo tomado o pequeno-almoço juntos na Lourinhã. Depois disso, terão regressado à casa da promotora imobiliária, onde Maria o deixou, seguindo depois para o trabalho. O objetivo seria angariar uma habitação que pretendia vender. A partir desse momento, deixou de ser vista. O telemóvel de Maria encontra-se desligado desde esse dia. A última localização conhecida aponta para a zona das Caldas da Rainha, mas sem qualquer rasto do aparelho. Também o automóvel — um BMW de cor escura adquirido recentemente — permanece desaparecido, diz o “CM”.

A moradia onde Maria vivia sozinha é ampla, recentemente remodelada e situada numa zona completamente isolada, acessível por estrada de terra batida. A ausência de vizinhos próximos dificulta a recolha de testemunhos. Ainda assim, moradores de uma casa distante afirmam ter visto o ex-namorado na terça-feira de manhã, já depois do desaparecimento, garantindo que também a eles disse desconhecer o paradeiro de Maria.

Foi igualmente na terça-feira que um colega de trabalho, preocupado com a falta de contacto, se deslocou à habitação. Encontrou lá o ex-companheiro de Maria Custódia, que afirmou não ter chamado as autoridades por falta de saldo no telemóvel. Mais tarde, ambos apresentaram queixa junto da GNR, revela o “Correio da Manhã” deste sábado, 24.

Cães sozinhos reforçam suspeitas

Um dos pormenores que mais intriga família e investigadores prende-se com os cinco cães de Maria — três de pequeno porte e dois de grande porte. Segundo pessoas próximas, Maria nunca se ausentaria sem garantir que os animais ficariam cuidados. Os cães permaneceram na casa até à intervenção do filho, o que levanta fortes suspeitas de que a saída não foi voluntária.

A zona envolvente à habitação é composta por floresta cerrada, o que tem dificultado as diligências no terreno, agravadas pelas condições meteorológicas adversas. Amigos e conhecidos admitem avançar com buscas informais nos terrenos próximos durante o fim de semana, numa tentativa desesperada de encontrar pistas.

Investigação passa para a Unidade Nacional de Contraterrorismo

O caso está agora sob a alçada da Polícia Judiciária, liderada pelo diretor nacional Luís Neves. O inquérito foi entregue à Unidade Nacional de Contraterrorismo, responsável por crimes de rapto, sequestro e outros ilícitos especialmente violentos.

Uma primeira versão apresentada pelo ex-namorado — que apontava para ameaças de um alegado vendedor do automóvel — foi afastada por falta de consistência. Posteriormente, uma carta anónima enviada à Polícia Judiciária sugeriu a possibilidade de rapto ou sequestro, garantindo que Maria ainda estaria viva. Para já, as autoridades não confirmam a veracidade dessa informação.

Apesar de várias testemunhas já terem sido ouvidas, não há, até ao momento, qualquer pista sólida sobre o paradeiro de Maria Custódia Amaral. O mistério adensa-se à medida que os dias passam e as contradições se acumulam. A investigação prossegue, enquanto família e amigos aguardam respostas — e, acima de tudo, a esperança de que Maria seja encontrada com vida.

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