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Imortal, mesmo depois da morte: 28 anos depois, continuamos a falar da princesa Diana. Porquê?

Lady Di pode ter morrido em 1997, mas imortalizou-se no coração das pessoas (e continua a fazê-lo, geração após geração). Os filmes e os documentários contribuem para o efeito, mas eis as outras razões que o especialista Alberto Miranda enumera.

28 anos se passaram desde que Diana Spencer, princesa de Gales, sofreu um acidente de carro que culminou na sua morte. Numa tentativa de escapar à perseguição dos paparazzi, o fatídico acontecimento teve lugar no túnel da Ponte de l’Alma, em Paris, França, vitimando também o namorado, Dodi Al-Fayed, e o motorista. Apenas o guarda-costas sobreviveu para contar a história, no dia 31 de agosto de 1997.

Diana morreu aos 36 anos, e deixou para trás dois filhos, a família que deles adveio e “um incontornável legado”, segundo Alberto Miranda, especialista em famílias reais, jornalista e autor do livro “As Dez Monarquias da Europa”.

Alberto Miranda
Alberto Miranda, jornalista e especialista em temas relacionados créditos: Nuno de Albuquerque Gaspar

O que é certo é que, 28 anos depois, continuamos a falar de Diana como se ainda estivesse presente – mas porque é que esta figura continua a conquistar o coração das pessoas, geração após geração? Alberto Miranda, à conversa com a MAGG, respondeu a estas questões.

Da introdução na família real a cumprir a sua missão

Ainda que a família Spencer não fosse uma forasteira no mundo aristocrata, Diana chegou ao seio da realeza com apenas 19 anos e consigo trazia ventos de mudança. Não que, por essa altura, já tivesse feito alguma coisa que assim o antecipasse, mas porque contrastava, desde logo, com as mulheres da família real, que “eram consideradas um bocadinho old fashioned [à moda antiga]”, segundo Alberto Miranda.

Por isso, com uma aparência dissonante (loira, de olhos azuis) e com roupas de cores vibrantes e cortes atípicos (muitas vezes, inconcebíveis até para a família real), Diana foi ganhando projeção. Essa beleza “magnética” fez com que se tornasse a mulher mais fotografada do século XX, uma vez que, “desde que foi apresentada como noiva do príncipe Carlos até à sua morte, não parou de ser fotografada diariamente”, frisa o especialista.

E, a par e passo, foi caindo nas graças do povo. O casamento com o príncipe Carlos, em 1981, foi um momento-chave para imortalizar a princesa. Isto porque “o poder atrativo da monarquia é o facto de os súbditos olharem para a família real como se fosse a sua própria família”, esclarece o jornalista. Assim, este “poder de identificação” faz com que as pessoas chorem com as derrotas e se alegrem com as conquistas da família real – e sem dúvida de que o casamento “foi um momento de júbilo para o Reino Unido e para a Commonwealth”, acrescenta Alberto Miranda.

Esse mesmo júbilo voltou a fazer-se sentir com o nascimento dos filhos, William e Harry, “um legado muito importante que Diana deixou para o país”, enfatiza o especialista. Então, ao dar herdeiros ao trono, “cumpriu a sua missão de princesa, assegurando a continuidade dos Windsor”, acrescenta.

Mais do que princesa de Gales, era a “princesa do povo”

Diana tornou-se tão adorada pelo seu carisma, vida e trabalho que passou a ser observada em todos os momentos da sua vida pública (e mesmo naqueles que desejava terem sido pautados por uma maior privacidade). Tornou-se uma influenciadora daquela época, que inspirava gerações por “ter usado a sua imagem a favor das causas sociais, humanitárias”, afirma o especialista. Este é um aspeto que se mantém vivo no imaginário coletivo e que alicerça, quase três décadas depois, a forma tão positiva como as pessoas olham para esta figura.

Por isso, se detém o título de “princesa do povo”, é porque por ele fez alguma coisa. Quem não se lembra das imagens de Diana a usar capacete de proteção, enquanto se aventurava por um campo de minas terrestres em Angola? De seguida, ainda quis conhecer crianças que perderam partes do corpo em acidentes com minas – e essa visita resultou na abolição dos explosivos, um ano depois.

“Pioneira em desconstruir mitos e preconceitos”, lembra Alberto Miranda, em 1991 fez aquilo que, à época, era impensável: apertou a mão, sem recorrer a luvas, a um doente com SIDA, um momento que rodou o mundo. Ainda na área da saúde, Diana sempre se mostrou pronta a visitar hospitais, tendo também tido várias interações com vítimas de cancro ou lepra – e essas atitudes fizeram com que todos caíssem aos pés deste membro da família real, já que os outros não o faziam com tanta espontaneidade.

Revolucionária em vida e na morte

Diana morreu em Paris, enquanto a família real passava férias na Escócia, no histórico castelo de Balmoral. “Para a rainha, a morte de Diana já não era um assunto da monarquia britânica, era um assunto da família Spencer – porque, com o divórcio, ela deixou de pertencer à família real”, frisa o especialista.

Assim que a notícia veio a público, uma onda de consternação inundou o Reino Unido, levando toda a gente a depositar flores à porta do palácio de Kensington, onde a princesa vivia. Passo a passo, os ramos de flores que eram deixados no chão multiplicavam-se, até a calçada se perder de vista. O mesmo começou a acontecer nas imediações do palácio de Buckingham.

No meio destas homenagens, Isabel II nunca se pronunciou, uma atitude que foi encarada com uma certa incompreensão por partes dos súbditos e que acabou por fazer a monarquia tremer. “Foi um duro golpe na popularidade da rainha”, realça Alberto Miranda.

Só nas cerimónias fúnebres é que Isabel II discursou para a nação “de uma forma bem pensada”. Fê-lo dentro do palácio, virada para a rua e para a estátua da rainha Vitória, enquanto observava, em tempo real, as pessoas a passar. No discurso, a rainha referiu-se a Diana como “um ser adorável” – e só assim a monarca percebeu que, se não estivesse próxima do povo, que tanto adorava a princesa, ele iria desencantar-se com a monarquia.

Por isso, esta é mais uma das razões pelas quais Diana se popularizou: porque “até na morte foi revolucionária”, clarifica o jornalista.

Das séries aos filmes, passando pelos documentários e páginas de Instagram

Se há algo que também tem um grande peso na manutenção da popularidade de Diana é o conteúdo que se produz, até aos dias de hoje, do qual a princesa é a protagonista. “25 anos depois, a sua popularidade é tal que a indústria cinematográfica e outras produções ainda lhe dão destaque. Diana continua a estar na agenda mediática”, aponta Alberto Miranda.

Apesar de terem por base acontecimentos reais, nem tudo nestas produções é factual, certamente. No entanto, “a tentativa de reconstruir o que aconteceu e de aproximação ao real significa que Diana não foi esquecida e que a sua personagem pública está muito presente”, acrescenta o especialista.

Assim, embora não tenha sido “figura de consensos”, devido aos ideais progressistas que tentou infiltrar na corte, Alberto Miranda considera “que o grande público continua a ter de Diana uma imagem muito positiva” e que “a força contrária não teve expressão a nível público”. Isto porque Lady Di conseguiu tornar-se numa das figuras da monarquia de quem as pessoas se “sentiam muito próximas”.

O especialista ainda aponta que “o facto de haver contas no Instagram a fazer montagens de Diana com os filhos, com as noras e com os netos” adensa essa perceção do quão querida era à escala planetária, fazendo com que todos tivessem o desejo de a ver perto dos membros da família que não teve oportunidade de conhecer.

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E, ainda que seja especulação, Alberto Miranda refere que, se estivesse viva, “o legado de Diana ia ser continuado – é, aliás, continuado pelos filhos e não só”. Acrescenta ainda que “o trabalho ia continuar a ser feito, usando a sua imagem para dar visibilidade às causas de difícil resolução, mas que urgem uma atuação de dirigentes políticos. E, perante esse perplexidade e essa inação dos dirigentes, ela estava lá”.

Assim, em jeito de conclusão, o especialista afirma com toda a convicção: “Diana é uma mulher lendária na história da monarquia britânica”.

(artigo publicado originalmente em agosto de 2022 e atualizado a 31 de agosto de 2025)

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