Estes prémios vão eleger os produtos de beleza que marcaram 2025 (e têm o selo das gurus Carmo Lico e Margarida Marques de Almeida)

Num mercado saturado de lançamentos e tendências efémeras, os Portugal Beauty Awards surgem para distinguir não “o melhor”, mas aquilo que realmente marcou o ano na beleza em Portugal. Eis o que precisa de saber.

Quem gosta de beleza tem consciência de que vivemos numa era marcada por lançamentos constantes, sucessivas promessas e uma cultura de que só o viral é que importa. Para contrariar essa lógica de novidade permanente, vem aí um evento que vai distinguir não “os melhores produtos”, mas aqueles que realmente “marcaram o ano” no País. Falamos dos Portugal Beauty Awards, que querem afirmar-se como um selo de credibilidade, curadoria e memória num mercado cada vez mais saturado.

Estes prémios são encabeçados por Margarida Marques de Almeida, criadora do blogue “Style It Up”, e Carmo Lico, ex-jornalista de beleza e hoje uma das vozes mais respeitadas da nova geração de criadores de conteúdo. Em causa estão duas referências da beleza nacional com percursos distintos, mas uma visão comum, que passa pela necessidade de parar, olhar para o mercado de forma criteriosa e eternizar, todos os anos, o que se destacou.

“O melhor [produto] é muito relativo”, sublinha Carmo Lico, em entrevista à MAGG. “Há tantas coisas a serem lançadas, mas são poucas as que realmente marcam”, afirma, explicando que isto não tem só que ver com o produto em si, mas com “tudo o que ele representa – como foi comunicado, se promete e cumpre”. É por isso que a dupla deseja criar este “arquivo emocional da beleza”, acrescenta a criadora de conteúdos, que promete trazer o “rigor e a exigência quase moral” da sua profissão anterior a esta “curadoria totalmente isenta”.

A ideia, no entanto, não nasceu do nada. Afinal, Margarida Marques de Almeida foi pioneira neste território quando, algures na década de 2010, plantou a semente ao lançar os Style It Up Beauty Awards, numa altura em que o mercado nacional ainda dava os primeiros passos e o digital não tinha o peso atual. Essa experiência (ou, pelo menos, o arcabouço que dela resultou) é assumidamente uma das bases do novo projeto.

“As marcas adoram receber prémios, porque é uma validação”, começa por explicar. “É uma validação daquilo que lançaram, do que foi bem aceite não só pelo consumidor final, mas também por alguém que recomenda“, acrescenta. Mas há uma aprendizagem-chave que transita diretamente desse projeto para os Portugal Beauty Awards – a importância da comunidade, que se assume como “um sexto jurado”.

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Se nos Style It Up Beauty Awards essa participação acontecia de forma mais simples, agora o modelo é mais estruturado, sendo que “as pessoas podem votar online” em algumas categorias de produtos. Essa evolução acompanha também a transformação da própria indústria e tem, fundamentalmente, uma premissa de base: ajudar o consumidor, que é cada vez mais curioso e exigente, a orientar-se.

Essa escolha não é casual. “As pessoas querem participar, querem fazer parte”, reforça a fundadora do Style It Up. “E hoje querem, sobretudo, ter informação do lado delas para poderem fazer escolhas conscientes”, acrescenta. Esta afirmação é corroborada por Carmo Lico. “As pessoas querem saber porque estão a usar o que estão a usar. Quem é que recomenda? Aquela pessoa em quem confiam aprovou? Nós vamos fazer essa curadoria”, remata.

Mas, afinal, como vão funcionar os prémios?

O funcionamento dos galardões vai assentar num modelo híbrido, que é o cruzamento de avaliação técnica, experiência profissional e votação da comunidade. As marcas podem inscrever produtos lançados ou reformulados ao longo do ano, que são depois testados pelos cinco elementos do júri residente. Paralelamente, uma seleção dessas categorias é submetida a uma votação pública online, fazendo com que o consumidor pese igualmente na decisão final.

O calendário, entretanto, já foi definido. Sabe-se que as inscrições decorrem até ao final de janeiro e seguir-se-á, por parte das marcas, o envio dos produtos para cada um dos elementos do júri. Depois disto, dá-se início à fase de testes e, claro, à discussão interna. A votação da comunidade chega em março e, finalmente, a cerimónia de premiação presencial, prevista para o final de abril.

Quanto às categorias, estas dividem-se em dois grandes grupos. De um lado, as principais, que estão organizadas por áreas como skincare, corpo, cabelo, maquilhagem e perfumes, que depois são subdivididas consoante as inscrições recebidas. “São chapéus”, explica Margarida Marques de Almeida, dizendo que, dentro de cada um destes, vão subdividir-se em novas categorias, como “rosto, olhos, limpeza” e a lista continua. É nestas categorias que o público é chamado a votar.

Por outro lado, existem as distinções do júri, atribuídas exclusivamente pelos cinco jurados. Aqui, deverá haver prémios destinados à inovação, sustentabilidade ou relação qualidade-preço, pensados para distinguir produtos que “se destacaram no mercado por razões muito específicas”, como deixam antever os nomes das categorias em que deverão encaixar-se, segundo explica Carmo Lico.

No entanto, sempre que uma categoria exija conhecimento altamente especializado, os Portugal Beauty Awards vão recorrer a especialistas convidados. “Se falarmos de medicina estética em Portugal, não faz sentido ignorar o contributo de um médico para nos falar dos cuidados de continuidade que marcaram o ano”, afiança Carmo Lico, dizendo que o mesmo se aplica, por exemplo, ao tópico da longevidade ou à sustentabilidade.

O júri foi pensado para ser diverso

Para garantir uma leitura abrangente do mercado, o júri dos Portugal Beauty Awards foi pensado como um espelho do mesmo. “Tentámos que o júri fosse o mais completo possível”, explica Margarida Marques de Almeida, enfatizando que o painel foi desenhado para refletir diferentes formas de viver, analisar e comunicar beleza. Só assim se evitam leituras únicas ou enviesadas. Mas quem é que faz parte, além das fundadoras, deste núcleo?

Começamos com Joana Nobre, coordenadora e docente da pós-graduação em Ciências Cosmetológicas da Nova Medical School, que é uma das representantes da vertente científica e académica destes galardões. A sua leitura, alicerçada nas quase duas décadas de experiência na indústria e em consultoria estratégica de cosmética, centra-se na formulação, nos ativos, na inovação técnica e na forma como os produtos cumprem (ou não) aquilo que prometem.

Para completar este eixo técnico, o certame mune-se, simultaneamente, do contributo de Sara Fernandes. Especializada em Cosmetologia, foi diretora técnica de um laboratório de cosméticos, atuou como safety assessor e é reconhecida pelo seu projeto “Make Down”, que existe há mais de uma década como um espaço de divulgação de ciência cosmética confiável e acessível, pelo que vem acrescentar uma perspetiva quase clínica, fundamental para avaliar a eficácia e segurança.

Por último, mas não menos importante, o júri conta com André Fernandes, mais focado no plano da experiência prática e do contacto direto com o utilizador, especialmente no âmbito da maquilhagem e perfumaria. Além de ser, atualmente, um dos nomes mais ativos nas redes sociais em Portugal no que a estas temáticas diz respeito, é maquilhador e formador, com uma visão que vem diretamente do terreno, não tivesse ele trabalhado em marcas como Sephora, Kiko Milano, MAC Cosmetics e Tom Ford.

Trocando por miúdos, a composição plural é uma garantia de que os Portugal Beauty Awards não se baseiam apenas em opiniões isoladas ou em métricas superficiais. Quanto às discussões, estas fazem parte do processo (“felizmente”, segundo as fundadoras) e são bem-vindas. “É como uma democracia”, brinca Carmo Lico, deixando claro que, ao final das contas, quem ganha é o produto que reunir a maioria dos votos.

O mercado respondeu “em força” (mas o objetivo é crescer)

Apesar de esta ser a primeira edição, a adesão das marcas superou as expectativas da dupla e estão representados “os principais universos de consumo de beleza em Portugal”, revela Carmo Lico, que, quase em uníssono com o seu braço direito, cita nomes já confirmados. É o caso de Estée Lauder, Clinique, La Roche-Posay, SkinCeuticals, Dolce & Gabbana, Givenchy, Erborian, Apivita, Uriage ou Elizabeth Arden. Uma panóplia de marcas que vai de supermercado a farmácia, passando por perfumaria, portanto.

Queríamos muito que houvesse o máximo de produtos para que [o concurso] fosse o mais representativo possível“, admite ainda a ex-jornalista. Já Margarida Marques de Almeida não esconde o alívio. “Há sempre aquela ansiedade, na primeira edição, de ‘será que as marcas vão alinhar?’. E alinharam em força”, admite.

Posto isto, a médio e longo prazo, o objetivo passa por tornar os Portugal Beauty Awards uma referência incontornável do setor da beleza portuguesa. “Mais do que crescer em número de marcas, queremos crescer em credibilidade e alcance”, diz Carmo Lico, acrescentando que a dupla quer “chegar ao máximo de pessoas e construir uma marca forte”, quase como “uma instituição de beleza”.

A criadora do “Style It Up” vai ainda mais longe, dizendo que o objetivo é que os galardões fiquem tão cimentados no imaginário da comunidade ao ponto de a fazer pensar: “Será que isto vai ganhar o próximo Portugal Beauty Awards?”. Por isso, está mais do que claro que querem “fazer parte da vida das pessoas e, sobretudo, da escolha”, trazendo “um selo de aprovação e de recomendação” em que todos possam confiar.

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