Ângelo Rodrigues sobre o coma de 2019. “Eu sabia que estava a pagar pelos meus pecados”

O ator de 37 anos encontra-se em coma no hospital de São José, em Lisboa, devido a uma pneumonia por aspiração. Há pouco mais de cinco anos, Ângelo Rodrigues já tinha estado internado, e falou várias vezes sobre essa fase.

Ângelo Rodrigues, ator de 37 anos, está atualmente em coma no hospital de São José, em Lisboa, segundo uma notícia avançada pelo Fama Show na passada terça-feira, 14 de janeiro. Apesar de ainda não se saber muito sobre a condição do ator, a SIC Notícias adiantou que Ângelo Rodrigues foi internado no domingo, 12, devido a uma pneumonia por aspiração, uma infeção respiratória grave, mas que está estável e não corre risco de vida. Também de acordo com o canal de Paço de Arcos, o ator já foi desentubado. 

Esta já não é a primeira vez que o ator é colocado em coma, tendo estado nesta situação há pouco mais de cinco anos, em 2019. Ângelo Rodrigues esteve dois meses internado no hospital Garcia de Orta, em Almada, devido a uma infecção generalizada, fruto de uma injeção indevida de testosterona. Na altura, o ator foi submetido a mais de 10 cirurgias para conseguir manter a perna, e fez ainda um tratamento em câmara hiperbárica no Hospital das Forças Armadas, em Lisboa.

Sobre o assunto, Ângelo Rodrigues já o abordou em várias entrevistas, tendo sido a mais recente em julho de 2024, à revista “Caras”. Na conversa, o ator de 37 anos confessou que sentia que a vida lhe tinha dado “uma segunda oportunidade”, e que toda a situação o fez ser uma pessoa melhor. “Eu percebi na primeira pessoa que a vida é finita, e foi-me dada uma segunda oportunidade para voltar a fazer as coisas (…). Uma oportunidade para valorizar o presente, o que não fazia até então. Sou eternamente grato a este momento, porque fez de mim uma pessoa muito melhor”, disse, citado pela “TV Guia”.

No entanto, quase um ano antes, em setembro de 2023, Ângelo Rodrigues contava a Daniel Oliveira, no programa “Alta Definição” da SIC, que pensou várias vezes que ia morrer, e que se viu no “limiar da dignidade humana”. “O limiar da dignidade humana que eu senti, como por exemplo fazer a minha higiene pessoal. Nas primeiras semanas pós coma eu não tinha autonomia absolutamente nenhuma, sentia-me como se fosse um verme. Tinha de me concentrar bastante para não desabar emocionalmente”, explicou. 

Ângelo Rodrigues abordou ainda o facto de ter sentido que tinha assistido ao seu “funeral digital”, uma vez que tinham saído notícias de que o ator estava morto, e que inclusive recebeu mensagens sobre o assunto. “Aconteceu uma coisa caricata e curiosa, que é como se eu tivesse assistido ao meu funeral digitalmente. A notícia da minha morte apareceu eventualmente no período em que estive internado, felizmente deu certo, mas quando eu saí pude ver essas mensagens, esses pêsames, e foi como se eu assistisse ao meu funeral digital. Como se eu tivesse um spoiler do que vai acontecer quando, de facto, morrer”, disse. 

O ator afirma ainda que nunca se sentiu frustrado por estar a fazer fisioterapia e por ter outras pessoas a dizer-lhe o que fazer. “Eu sabia que de alguma forma estava a pagar pelos meus pecados”, acrescentou ainda Ângelo Rodrigues na conversa com Daniela Oliveira. Já na entrevista dada ao podcast “Kológica”, de Vera Kolodzig, o ator explicou que o que lhe tinha acontecido nada tinha que ver com questões de estética, não estando infeliz “com o seu corpo”, e sim apenas por questões pessoais. “Teve um impacto muito grande na minha vida porque me fez passar por muitas coisas”, disse.

Iva Domingues também falou com o ator em fevereiro de 2023, numa conversa bastante intimista no programa “Conta-me”. A apresentadora, que passou vários dias no hospital com Ângelo Rodrigues, recordou a chamada que recebeu para ir visitar o ator numa noite em que não sabiam qual seria o seu desfecho, e os dois revelam que muita coisa mudou dali para a frente. “Há sempre a expectativa de que uma pessoa que passa por um tipo de experiências destas que tenha todas as respostas do mundo, e eu ainda não as tenho. Posso dizer que mergulhei dentro de mim, encontrei um guerreiro e obriguei-o a lutar”. 

Ângelo Rodrigues também recordou exatamente aquilo que sentiu enquanto estava em coma, descrevendo o momento como um “atravessar o meridiano da morte” e lançar “a âncora para a escuridão”. “Tenho um grande apagão dessa semana da minha vida, mas lembro-me de sentir uma sensação inefável de paz, sentia-me largado completamente na escuridão. Depois de atravessar o meridiano da morte, lancei a âncora para a escuridão. Era escuro, não tinha medo, sentia uma enorme paz”, explicou. “Sentia uma pressão no interior dos lábios, mais tarde percebi que eram os aparelhos, e as vozes, apesar de não as ouvir bem, sentia que elas estavam lá”, acrescentou.

A Júlia Pinheiro, no programa “Júlia”, o ator confessou que o trágico acidente foi uma coisa “ótima” que lhe aconteceu, tendo sido uma espécie de abre olhos na sua vida. “Foi uma guinada que me fez acordar de certa forma para a vida. Deu-me mais clarividência”, disse. Ângelo Rodrigues, desde o acidente, conseguiu visitar mais de 30 países, tendo dormido em aposentos de mongos e dado aulas de expressão dramática em Moçambique. Ao mesmo tempo, participou em algumas novelas da SIC, como “Papel Principal”, e séries da Netflix, sendo elas “Olhar Indiscreto” e a terceira temporada de “Rabo de Peixe”, que ainda não tem data de estreia.

O internamento de Ângelo Rodrigues acontece depois de ter terminado um dos seus mais recentes projetos, “Quebra-Nozes e o Reino do Gelo”, uma peça que esteve em cena de norte a sul do País até domingo, 5 de janeiro. Ao que tudo indica, o ator terá feito a viagem do Porto, onde se encontrava depois do fim da peça, para Lisboa na sexta-feira, 10 de janeiro, tendo-se sentido mal no domingo, segundo a CMTV. Adriano Silva Martins, que apresenta o programa “V+ Fama”, do canal V+, explicou também que o ator tinha estado numa festa no sábado, 11, adiantando que o ator foi transferido para a Unidade de Urgência Médica do hospital de São José, estando numa ala do hospital destinada aos casos que inspiram mais cuidados.

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