FF recorda separação dos pais. “A nossa vida e a dos nossos pais não tem de ser perfeita”

Numa entrevista sobre o passado e a carreira, o artista Fernando Fernandes falou em especial sobre o divórcio dos pais que acabou por aproximá-lo da mãe. Depois de alguma revolta, atualmente não carrega “fantasmas”.

Os pais de Fernando Fernandes, mais conhecido como FF, separaram-se quando o cantor tinha 15 anos. Na altura da separação, o artista ficou com a mãe no Alentejo e não foi uma fase fácil de gerir, apesar de o ter feito de forma madura, admitiu a Manuel Luís Goucha, no programa “Conta-me” desde sábado, 18 de setembro.

“Na altura, foi um choque para todos. Para mim foi um choque muito grande, ainda por cima sendo o filho mais novo. É a altura em que de repente percebemos que a nossa vida e a dos nossos pais não tem que ser perfeita”, disse FF, apesar de antes de ser anunciada a separação já suspeitar que tal pudesse acontecer. “Hoje já posso falar disto de forma mais aberta e tranquila, mas a relação dos meus pais nunca foi uma relação propriamente pacifica. Sempre foi conturbada e tive consciência disso desde sempre. Se isso me fazia crer que o divorcio ia acontecer? Não sei”, continuou. A separação dos pais teve bastante impacto na sua vida, admitiu, especialmente na forma como se relaciona com os outros.

Na altura, o pai de FF mudou-se para Lisboa e ficou apenas o artista, a mãe e o cão num monte alentejano. “De repente, aquele monte que parecia o paraíso torna-se numa espécie de presente envenenado”, disse a Manuel Luís Goucha, depois de inicialmente ter contado que a infância e início da adolescência passadas no Alentejo foram dos períodos mais felizes na sua vida.

FF sempre teve uma relação próxima com mãe, mas a separação fez com que se fortalecesse. “Esse momento foi decisivo para unirmo-nos ainda mais para sobrevivermos àquilo que estava a acontecer”, lembrou. Já na altura, com apenas 15 anos, Fernando Fernandes mostrou uma posição madura ao pensar que aquela era uma perda da mãe e não tanto dele. “Percebi que era muito mais o momento dela do que o meu. Pensei: ‘Sou um miúdo, mas não estou a perder um pai. A minha mãe está a perder um companheiro de vida'”, contou.

Contudo, depois da paz que conseguiu na altura, quando tinha 17 ou 18 anos sentiu alguma revolta em relação “a tudo”, inclusive à mãe — algo que conseguiu ultrapassar. “Não foi uma fase que durou muito, porque aos 18 anos comecei a trabalhar e a vida seguiu”, concluiu.

Ao início, o pai tinha ido para Lisboa, mas depois foi trabalhar para as ilhas Caimão, na América do Norte, onde permaneceu durante dois anos. FF não compreendeu a decisão na altura, mas hoje em dia a relação entre os dois está restabelecida e Fernando Fernandes não carrega grandes “fantasmas” do passado e admite que nada ficou por dizer. “As coisas que podiam ter ficado por dizer acho que já não faz sentido dizer”, rematou.

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