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Eurovisão 2021. (Ou)vimos as 39 canções e tivemos de soprar o balão e fazer o quatro

Os ensaios para a 65.ª edição do Festival Eurovisão da Canção já começaram, depois de um ano de interrupção devido à pandemia da COVID-19. A MAGG faz-lhe um resumo da matéria dada antes das semifinais.

A contagem decrescente para a 65.ª edição do Festival Eurovisão da Canção já começou. As semifinais acontecem a 18 e 20 de maio e a grande final a 22.

Os Países Baixos voltam a ser os anfitriões do certame depois de, em 2020, os planos terem ido por água abaixo devido à pandemia da COVID-19. Portugal concorre na segunda semifinal, com os The Black Mamba a tentarem garantir um lugar na final.

Quer seja fã do certame musical ou apenas um curioso, a MAGG fez o trabalho de casa e apresenta-lhe um resumo de cada uma das 39 músicas a concurso. Prepare-se, ponha o cinto, que isto vai ser como andar numa montanha-russa depois de um after no Kremlin.

Primeira semifinal

1  – Lituânia
The Roop – “Discoteque”

É assim que imagino que vamos todos dançar quando (finalmente) as discotecas e bares reabrirem: com espasmos pós-apocalípticos e como se estivéssemos dentro de um videoclipe dos Talking Heads.

2  – Eslovénia
Ana Skolić – “Amen”

A típica balada épica com mensagem de esperança cantada por uma loira franzina que, assim, à priori, ninguém dá nada por ela, mas depois abre as goelas e sai de lá um vozeirão. Tem coro de gospel, claro.

3  – Rússia
Manizha – “Russian Woman”

Rosie, a Rebitadora, célebre ícone feminista, troca a bandeira dos EUA pela russa e vai com tudo para o palco da Eurovisão. Ainda estamos para perceber como é que um hino ao empoderamento passou pelo crivo de Putin…

4 – Suécia
Tusse – “Voices”

A Suécia é assim uma espécie de mousse Alsa da Eurovisão. Faz-se rápido, à primeira vista parece caseira, mas depois vai-se a comer e sabe tudo a pacote.

5  – Austrália
Montaigne  – “Technicolour”

É a Britney, são os Cranberries? É pop do final dos anos 90 ou é ópera? Montaigne tem uma voz do caraças, mas não temos pedalada para acompanhar tanta mudança de estilo ao longo de três minutos.

6  – Macedónia do Norte
Vasil  – “Here I Stand”

Mais uma balada épica com uma mensagem de superação, acompanhada por uma orquestra de 5498 pessoas e ainda um coro. E ainda nem a meio vamos. Deus me dê paciência.

7 – Irlanda
Lesley Roy  – “Maps”

Estão a ver aquelas músicas que põem a tocar no rádio do carro quando levaram uma tampa há duas semanas mas já acham que estão muito bem e a superar tudo com imenso estilo? É “Maps”.

8  – Chipre
Elena Tsagrinou – “El Diablo”

Em 2018, o Chipre trouxe-nos a Lisboa uma Eleni com “Fuego”. Três anos depois, levam a Roterdão uma Elena com “El Diablo”. I-no-va-dor.

9  – Noruega
Tix – “Fallen Angel”

Das duas, uma: ou isto é a cena mais azeiteira que alguma vez pisou o palco da Eurovisão ou a crítica mais inteligente a todos os exageros cénicos do certame. Não conseguimos decifrar.

10  – Croácia
Albina  – “Tick-Tock”

Podia ser um hino à rede social chinesa, mas é só uma moça muito gira a cantar com a voz muito bem disfarçada com auto tune. Prevemos desafinanço monumental em Roterdão.

11  – Bélgica
Hooverphonic  – “The Wrong Place”

É aquele momento da semifinal para fazer um xixi ou ir à cozinha buscar uma bucha. Ninguém quer ouvir uma música decente com uma atuação discreta. Give me the fireworks!!!!!

12  – Israel
Eden Alene –  “Set Me Free”

Israel é assim uma espécie de McDonald’s da Eurovisão. Satisfaz, nunca desilude porque é o que é. Mas se preferíamos um bom bife da vazia, mesmo correndo o risco de vir demasiado passado? Preferíamos.

13  – Roménia
Roxen  – “Amnesia”

‘Tou, Roxen? A Billie Eilish ligou e diz que quer isso tudo de volta.

14  – Azerbaijão
Efendi  – “Mata Hari”

O Azerbaijão raramente falha: música orelhuda, umas moças semidespidas e uma daquelas performances com efeitos especiais que hão-de custar os olhos da cara e fazem as outras parecerem uma atuação na rua de Santa Catarina.

15  – Ucrânia
Go_A  – “Шум (Shum)”

“Canto branco” é uma técnica tradicional de canto popular usada na Europa oriental. Depois é só misturar com techno e dá “Shum”. Com o que é que se parece? Com aqueles breves segundos em que achámos que Conan Osíris podia ganhar a Eurovisão.

16  – Malta
Destiny Chukunyere  – “Je me casse”

Já perceberam que há alguns países que gostam de apresentar versões de marca própria das estrelas pop do momento, certo? De Malta, à falta de Lizzo, veio a Destiny. É lidar, child!

Segunda semifinal

1 – San Marino
Senhit – “Adrenalina”

San Marino é uma espécie de unicórnio da Eurovisão. Pouco ou nada sabemos desta micro-nação, mas o que é certo é que anda nestas lides eurovisivas desde 2008. E, este ano, com um fator surpresa acrescido: irá o rapper norte-americano Flo Rida atuar ao lado de Senhit? O tabu mantém-se.

2 – Estónia
Uku Suviste – “The Lucky One”

Eurovisão que é Eurovisão tem de ter um bonzão a cantar num inglês paupérrimo sobre o coraçãozinho partido por uma miúda qualquer. Uku vai aparecer no palco da Ahoy Arena no meio de uma tempestade e estamos capazes de apostar uma mini e uma bifana que isto vai meter chuva e camisas molhadas, coladinhas ao corpo.

3 – República Checa
Benny Cristo – “Omaga”

É fresco, é urbano e com potencial para se ouvir na rádio ou no Spotify, meses depois de passar o frenesim eurovisivo. Isto tudo vindo de um país onde nasceu malta animada e folgazona como Franz Kafka, Milan Kundera e Antonín Dvořák. Dá que pensar.

4 – Grécia
Stefania – “Last Dance”

Há um subgénero que só vê a luz do dia durante a época eurovisiva. Chamemos-lhe eurotrashdance music. É feita com recurso a um produtor que faz música a peso (até pode fazer hits para o Justin Bieber, mas pagaram-lhe pouco e saiu “Last Dance”)  e soa mais ou menos à música de fundo que toca na Stradivarius ou na Primark.

5 – Áustria
Vincent Bueno – “Amen”

Há um “Amen” em cada semifinal da Eurovisão 2021 e começamos a desconfiar que isto não é patrocinado pela Moroccanoil, mas sim pelo Vaticano. #teoriadaconspiração #illuminati

6 – Polónia
Rafał – “The Ride”

Nem os sintetizadores à la pop anos 80 nos fazem desviar os olhos do quão azeiteiro é o Rafal e a sua trupe de bailarinos. Menos. Muito menos.

7 – Moldávia
Natalia Gordienko – “Sugar”

Palavra de honra que eu acho que, a leste, deve haver fábricas que produzem estas Barbies supersónicas que fazem tudo bem: são top models, cantam que se fartam e dançam razoavelmente bem. Que nervos. Ah, a música? É fraquita.

8 – Islândia
Daði & Gagnamagnið – “10 Years”

É assim que, nos meus sonhos, imagino todos os islandeses. Uma grande família de nerds-hipsters, vestidos com pijamas iguais e com meios sorrisos indecifráveis. Fora de brincadeiras. A Islândia era favorita em 2020 e mantém esse estatuto este ano. PS: preciso desta coreografia na minha vida.

9 – Sérvia
Hurricane –  “Loco Loco”

Eurovisão que se preze tem de ter: 1) pelo menos uma girlsband 2) ritmos latinos 3) palavras em castelhano metidas a martelo 4) uma máquina de vento para fazer esvoaçar cabelo. A Sérvia meteu tudo na Bimby e saíram as Hurricane.

10 – Geórgia
Tornike – “Kipiani You”

Aquele momento da segunda semifinal para um xixi, um post nas redes sociais ou para meter a loiça na máquina.

11 – Albânia
Anxhela Peristeri – “Karma”

Um dos aspectos mais apaixonantes da Eurovisão é podermos apreciar línguas que não ouvimos habitualmente. E o albanês, como se pode comprovar nesta canção, é de facto uma língua exótica e bonita. #momentocultural

12 – Portugal
The Black Mamba – “Love is On My Side”

PORTUGAL, PORTUGAL!!! Olé, olé, olé, olé, ooooooolé! E quem não salta, não é Tatanka! E salta Tatanka, e salta Tatanka, olé olé!

13 – Bulgária
Victoria – “Growing Up Is Getting Old”

Em português, esta música significa “Crescer é Envelhecer”. Quem canta é a Victoria, mas bem podia ser a nossa conterrânea Lili Caneças, célebre autora de outro êxito da música pop, “Being Alive is the Opposite of Being Dead”.

14 – Finlândia
Blind Channel – “Dark Side”

“É a versão finlandesa dos Linkin Park” é o mais simpático que podemos dizer deste punk rock genérico. Quer dizer, um dos vocalistas dá assim uns ares de Ville Valo, o vocalista da saudosa banda finlandesa HIM [inserir emoji apaixonado].

15 – Letónia
Samanta Tina – “The Moon Is Rising”

Adoramos a coreografia, que não é nada copiada do videoclipe “Run the World (Girls)” da Beyoncé. Mas pronto, a Samanta diz que é rainha, que faz a suas próprias regras e tal, e a malta respeita. Porque empoderamento e tal.

16 – Suíça
Gjon’s Tears –  “Tout l’Univers”

Suíça, país-berço do Festival Eurovisão da Canção, volta a apostar no idioma francês, depois de nove anos de canções em inglês. E bem. “Tout l’Univers” é elegante, poderosa e eficaz. Como um relógio suíço (vá lá, a piada estava a implorar para ser feita).

17 – Dinamarca
Fyr & Flamme – “Øve os på hinanden”

E, por falar em regresso às origens, a Dinamarca quebra a tradição de duas décadas a cantar em inglês, e aposta numa canção na língua de Hans Christian Andersen. “Øve os på hinanden” é uma matrioska eurovisiva, cheia de referências sonoras e visuais aos êxitos da década de 80.

Final (países com acesso direto)

França
Barbara Pravi – “Voilà”

Édith Piaf reencarnou em Barbara Pravi não só para cantar, mas também para dizer ao mundo eurovisivo: “O caneco é nosso. Vemo-nos para o ano em Paris, putains!”

Alemanha
Jendrik – “I Don’t Feel Hate”

Eurovisão que se preze tem de ter uma atuação que ninguém realmente percebe, assim um misto de “isto parece giro, mas não sei” e “vou por isto como toque do telemóvel”.

Itália
Måneskin – “Zitti E Buoni”

Desde 2017, ano em que Francesco Gabbani apresentou ao mundo a obra prima “Occidentali’s Karma”, que Itália se tornou demasiado boa para a Eurovisão. Este ano não é exceção. Não somos dignos de Måneskin. Não somos.

Espanha
Blas Cantó – “Voy A Quedarme”

Espanha venceu a Eurovisão dois anos seguidos (1968 e 1969) e pensou: “Pues que está muy bien, no queremos más eurovisiones en Madrid“. E se assim o pensaram, melhor o fizeram. Tanto é que a última vez que estiveram no top cinco foi em 1991. E este ano não vai ser diferente.

Países Baixos
Jeangu Macrooy – “Birth Of A New Age”

Por norma, o país anfitrião não quer fazer má figura mas tenta sempre arranjar assim uma coisa que não comprometa mas que também não se arrisque a ganhar. É que isto de organizar a Eurovisão fica para cima de uma fortuna.

Reino Unido
James Newman – “Embers”

Aposto 50 paus como esta música vai parar a um anúncio de uma marca super jovem e dinâmica, tipo operadora de telecomunicações ou campanha de reversão do Brexit.

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