Com a chegada do streaming, as salas de cinema têm enfrentado dificuldades. São já nove cidades sem estes espaços e, agora, mais uma localidade está sem exibições. Entenda o que está a acontecer.
Ir ao cinema está a tornar-se cada vez mais difícil em várias zonas do País. Nos últimos tempos, mais sete salas de cinema fecharam portas devido a uma crise que já tem vindo a dar sinais preocupantes e que parece não ter fim à vista.
Desta vez, a Cineplace, a segunda maior exibidora depois da NOS Lusomundo Cinemas, acaba de encerrar sete salas no LeiriaShopping. O espaço abriu em 2010 e acaba, agora, de se juntar à lista de cinemas que deixaram de exibir filmes em Portugal, uma lista que não para de crescer.
Com este fecho, já são nove as cidades portuguesas sem qualquer sala de cinema comercial em funcionamento, entre elas Guarda, Caldas da Rainha, Portimão, Funchal, Seixal e, agora, Leiria.
O fecho das salas não aconteceu por acaso. A decisão surge cerca de duas semanas depois de a exibidora ter fechado os cinemas que tinha na Guarda e nas Caldas da Rainha, alegando a entrada num Plano Especial de Revitalização (PER). Este processo levou à paragem de oito salas de cinema nos centros comerciais La Vie nas Caldas da Rainha e na Guarda, deixando ambas as cidades sem exibição de cinema. Agora, Leiria junta-se à lista.
Em 2025, segundo os dados mais recentes do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), a Cineplace operava 62 salas distribuídas por 12 complexos em Portugal. Ainda assim, só no último ano, a empresa encerrou cinemas em Portimão, no Algarve Shopping (Guia), no Madeira Shopping (Funchal) e no Rio Sul Shopping (Seixal).
Mas estes não são os únicos casos. Nos últimos meses, várias cadeiras de exibição estão a seguir o mesmo caminho e a encerrar salas de cinema em centros comerciais um pouco por todo o País. É o caso da NOS Lusomundo Cinemas, que fechou recentemente cinco salas no Maia Shopping, cinco no Tavira Grand Plaza e seis no Fórum Viseu. Já no início deste ano, encerrou 12 salas do Alvaláxia, em Lisboa.
O impacto começou a sentir-se de forma mais grave entre 2024 e o primeiro trimestre de 2025 em Beja, Bragança e Portalegre, que ficaram sem exibição, passando a depender de equipamentos municipais para a projeção de filmes. Viana do Castelo pode ser a próxima vítima, depois de o Ministério da Cultura ter autorizado a desafetação das quatros salas do Estação Viana Shopping.
Perante este cenário, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, anunciou a criação de um grupo de trabalho com a IGAC e o ICA, com o objetivo de analisar a exibição de cinema e o respetivo encerramento de espaços por todo o país, bem como tirar conclusões do primeiro trimestre deste ano.
Os números ajudam a explicar o fim da exibição de filmes em vários espaços, e se há menos público, há menos dinheiro. Em 2025, o cinema em Portugal registou a pior afluência das últimas décadas, excepto durante a pandemia. No ano passado, foram vendidos 10,9 milhões de bilhetes, menos 8,2% do que em 2024. As receitas também caíram, fixando-se nos 70,5 milhões de euros, uma descida de 3,9%, refletindo hábitos de consumo cada vez mais afastados das salas tradicionais e cada vez mais próximos do sofá de casa.
Ainda assim, a afluência às salas de cinema independentes estão a aumentar, nomeadamente no Cinema Trindade no Porto e no Cinema Medeia Nimas, em Lisboa, que registou, no último ano, mais de 80 mil espectadores, um crescimento de 35,5% face a 2024.
