“Master of None”. A série hilariante da Netflix sobre o que é isto de ser millennial com sonhos

De novo em casa, sugerimos-lhe uma série por dia para que nunca se sinta sem nada para ver. Esta tem Aziz Ansari no papel principal que faz dele próprio enquanto ator de origem indiana a tentar singrar em Hollywood.

Antes do escândalo sexual que o obrigou a afastar-se da representação e do espaço mediático, era na série “Master of None”, um exclusivo da Netflix, que Aziz Ansari (“Parks and Recreation”) transportava para o ecrã um bocadinho da sua vida enquanto ator de origem indiana que tentava singrar em Hollywood.

É nesse percurso, que poderá ser comum a atores emergentes, que a série brilha ao mostrar, afinal, o que é esta coisa de ser millennial num mundo cada vez mais frenético e globalizado. O enfoque da história, que toma a perspetiva de Aziz Ansari em quase toda a série, são os desamores, as irritações sem importância, os problemas de primeiro mundo, mas também questões tão importantes como o racismo e o consentimento em relações.

E os dilemas por que passa são-nos familiares porque é garantido que em algum momento da nossa vida já teremos passado por aquilo que Aziz mostra na série. De certo, já esperámos demasiado tempo na fila para o pão; já fomos a pessoa a quem calhou sempre esvaziar o repositório de cápsulas da máquina de café; já fomos vítimas de discriminação; e, muito provavelmente, já discriminámos alguém.

É nesse equilíbrio entre a ficção e a realidade que se criam sentimentos de identificação que fazem a história respirar e arrancar suspiros, lágrimas ou risos.

O fio condutor, claro, é o humor que serve de ferramenta para desarmar os dilemas que reforçam a fragilidade que nos é inerente e, claro, para a tornar menos dolorosa. E essa genuinidade é reforçada até pela inclusão, no elenco, dos próprios pais de Ansari — que fazem deles próprios sem nunca antes terem representando.

Além disso, “Master of None” tem um dos episódios mais hilariantes de todo o catálogo da Netflix. Para reforçar a diversidade de Nova Iorque, os produtores da série entrevistaram motoristas de táxi, porteiros e surdos.

O objetivo? Recriar uma cena em que um grupo de surdos se chateia e discute através de língua gestual. O tema? Vaginas. Ninguém os entende, claro, exceto aqueles que passam pela loja e que também sabem interpretar e comunicar por essa vida. E que, para tornar toda a situação ainda mais constrangedora, são crianças.

É só um dos melhores momentos da série que pode ver agora na Netflix. Há rumores de que a terceira temporada já está a ser preparada, quatro anos depois da estreia da segunda, mas ainda não há um anúncio oficial por parte da empresa de streaming.

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