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Escolas portuguesas têm falta de pessoal para garantir regras de segurança no próximo ano letivo

Faltam mais de seis mil funcionários não docentes para fazer cumprir as regras de higiene e segurança nas escolas no arranque do ano letivo. “Esquecem-se de que são estas pessoas que vão limpar as salas de aulas quando os alunos saírem”, alerta sindicato.

Setembro é mês de regresso às aulas, com muitas mudanças e novas regras face à pandemia causada pela COVID-19. Com arranque oficial marcado entre os dias 14 e 17 de setembro “com atividades letivas, não letivas e formativas presenciais para todas as crianças e alunos”, de acordo com as orientações da Direção-Geral da Educação, surgem agora notícias de que faltam funcionários nas escolas para garantir o cumprimento das regras de segurança relacionadas com o novo coronavírus.

Esta segunda-feira, 17 de agosto, um grupo de representantes da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFP) esteve reunido com responsáveis do Ministério da Educação e voltou a chamar a atenção para a falta de pessoal nas escolas, bem como para o facto de os trabalhadores não docentes serem um grupo envelhecido e exausto, escreve o “Diário de Notícias”.

“Estes trabalhadores são fundamentais para que o sistema de proteção contra a COVID-19 funcione, mas a maioria das escolas tem falta deles. Algumas escolas não vão conseguir cumprir as novas regras em tempo de pandemia. Os problemas vão aparecer”, alertou Artur Sequeira, presidente da federação, à Lusa, citada pelo jornal. O representante do sindicato disse ainda que o aumento de mais 700 trabalhadores prometido pelo ministério da Educação não chega “sequer para cobrir os que se aposentaram no passado ano letivo”.

Mas este não é um problema exclusivamente relacionado com a pandemia. De acordo com as contas da federação, mesmo antes desta situação sem precedentes já faltavam cerca de seis mil funcionários para assegurar o bom funcionamento das escolas. Agora, com os cuidados extra, esse número só aumenta.

“Esquecem-se de que são estas pessoas que vão limpar as salas de aulas quando os alunos saírem, que vão limpar corredores e outros espaços comuns, que são eles que vão estar responsáveis por verificar se estão todos a cumprir as regras”, afirmou Artur Sequeira, que também apelida a prorrogação dos contratos dos trabalhadores docentes por mais um ano de “medida coxa”. “Por um lado, as pessoas podem ficar satisfeitas porque não vão para o desemprego no final do mês, mas por outro isto significa continuar em situação precária.”

O presidente da federação considera ainda que “a pandemia só veio pôr a nu” os problemas já existentes da falta de pessoal, bem como a situação laboral instável, precária e o excesso de trabalho. “Mais de um terço dos trabalhadores das escolas tem mais de 50 anos e há muita gente em situação de risco. Além disso, já havia uma distribuição de trabalho abusiva, havia quem tivesse a seu cargo um número de salas que era humanamente impossível limpar”, acrescentou. Estas notícias surgem depois de já ter sido divulgado que algumas escolas estavam a planear pedir ajuda aos alunos mais velhos para a higienização das suas salas de aula.

 

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