Inspirado numa história real, o romance de estreia de Susana Amaro Velho regressa para fazer o leitor a olhar de frente para o luto, a doença mental, o abandono e o amor impossível. Saiba tudo.
Susana Amaro Velho está de volta com uma (e a mesma) obra impactante quase 10 anos depois. Depois de ter feito furor com “Inquieta”, “Bairro das Cruzes” e “Descansos”, a escritora portuguesa de 39 anos regressou ao passado com “As Últimas Linhas Destas Mãos”, o seu romance de estreia que é agora publicado totalmente revisto pel’A Casa das Letras. Lançado esta terça-feira, 30 de setembro, esta é uma história que começa depois da morte, numa narrativa rara onde o leitor é desafiado a olhar o luto e o abandono nos olhos.
Publicado pela primeira vez em 2017, a obra parte então do suicídio de Alice e do silêncio que deixa à sua filha, Teresa, expresso numa herança feita de cartas assinadas com palavras e fantasmas. No entanto, Alice nunca abandona o romance, sendo uma figura omnipresente durante todas as páginas, falando de lugares que Teresa nunca visitou, de amores que nunca ouviu contar, e de dores escondidas por trás de uma vida que parecia comum.
Nas entrelinhas dessas mesmas palavras, Alice começa a desenhar uma história paralela à que foi contada a Teresa, mostrando uma vida a que tentou a custo sobreviver feita de omissões e de vidas vividas à margem do possível, com uma narrativa que emerge em frases soltas, e, por vezes, desconcertadas. Desta forma, no regresso à casa da infância, Teresa tenta reconstituir a figura da mãe: quem foi esta mulher antes de se deixar domesticar, antes de ceder o corpo e a linguagem ao papel de mulher de alguém e de mãe?
Inspirado numa história real, o livro desafia assim o leitor a olhar de frente para o luto, a doença mental, o abandono e o amor impossível, abordando temas tão complexos como o suicídio e a perda de identidade, e convidando à reflexão sobre aquilo que deixamos por dizer a quem mais amamos. “As Últimas Linhas Destas Mãos” já está disponível por 17,01€.