Solidariedade e um quarto de hotel. Esta é a iniciativa que dá alojamento (e alento) aos pais de crianças internadas

O Quarto Solidário é uma iniciativa do NEYA Hotels que apoia famílias que necessitam de alojamento em Lisboa de modo a estarem junto das suas crianças. Contamos-lhe tudo sobre o projeto.

Foi depois de uma experiência pessoal muito difícil que Yasmin Bhudarally, CEO da NEYA Hotels, decidiu fundar o projeto Quarto Solidário. Com ele pretende apoiar não só financeiramente, mas também emocionalmente, as famílias com crianças internadas.

A origem do Quarto Solidário remonta à primeira gravidez de Yasmin Bhudarally que, logo após ter sido mãe, por razões de doença, teve de deixar a sua bebé de três meses internada. “Sempre que ela abandonava o hospital, porque não podia pernoitar lá, ficava sempre com aquela sensação de abandono, porque morava em Oeiras e a bebé estava hospitalizada no Hospital Dona Estefânia”, esclareceu Sara Freire, Diretora Geral da NEYA Hotels em entrevista à MAGG.

Em 2011, uns anos depois deste episódio doloroso, surgiu a oportunidade de comprar o imóvel onde viria a nascer o NEYA Lisboa. E num ano, em 2012, Bhudarally implementou o projeto Quarto Solidário.

O que é o Quarto Solidário?

Criado em 2012, o Quarto Solidário apresenta-se como um Projeto de Responsabilidade Social Corporativa da NEYA Hotels que oferece alojamento e pequeno-almoço gratuitos aos pais de crianças hospitalizadas ou em tratamento.

A iniciativa começou por ser uma parceria com a Área de Apoio Social do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, que sinalizava e encaminhava as famílias mais carenciadas para o NEYA Lisboa Hotel. Mas o projeto foi crescendo e hoje esse encaminhamento já é feito a partir das unidades hospitalares do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, onde se incluem o Hospital Dona Estefânia, a Maternidade Dr. Alfredo da Costa, o Hospital Santa Marta, o Hospital São José, o Hospital Santo António dos Capuchos e o Hospital Curry Cabral.

O projeto já chegou ao outro hotel da cadeia, no Porto, e apoia os pais de crianças hospitalizadas ou em tratamento no Centro Materno-Infantil do Norte.

Como é que funcionam as reservas?

O contacto inicial é feito pelos pais ou cuidadores à Área de Apoio Social da unidade hospitalar em que a criança está internada ou em tratamento. Em caso de necessidade de alojamento por motivos de fragilidade económica, os serviços estes estabelecem contacto com a NEYA Hotel.

Isto quer dizer que não são os pais que ligam diretamente para o hotel a pedir a reserva.

Como Sara Freire explicou à MAGG, “há uma carência que é identificada pelo Serviço de Ação Social do Hospital e é esse Serviço que contacta com o hotel” com o pedido de alojamento e todos os detalhes sobre a família. “Nós recebemos um formulário do hospital com a identificação da família, a doença da criança, todos os dados que validam [a necessidade de alojamento no Quarto Solidário]”, acrescentou.

As famílias ou cuidadores são recebidos por um colaborador do hotel que os acompanha desde o primeiro momento em que chegam e fazem o check-in até ao dia em que saem.

Há um acompanhamento constante que zela pelo bem-estar e estabilidade das famílias, para que tenham as melhores condições e reestabeleçam a esperança. Sara Freire explicou-nos que “a ideia é dar aos pais uma boa noite de conforto, dar-lhes um pequeno-almoço revigorante para lhes dar ânimo para os dias que se seguem”.

E este é um trabalho que já dura há 11 anos.

“Até ao momento, já apoiámos mais de 100 famílias, que equivale a cerca de 600 noites de alojamento”, avançou a Diretora Geral da cadeia de hotéis. “Aquilo que conseguimos dar a estas famílias, mais do que alojamento e pequeno-almoço, é algum ânimo para enfrentarem o dia que se segue e ser o seu apoio funcional nesta fase tão delicada e frágil”, acrescentou.

O evento que uniu mães lutadoras

A apresentação oficial do projeto aconteceu no NEYA Lisboa Hotel, no dia 28 de setembro. A tarde foi marcada por discursos emotivos e inspiradores, que trouxeram consigo uma mensagem de conforto e esperança. Perante sala cheia, para uma plateia de cerca de 50 pessoas, muitas “super-mulheres” – como as apelida Sara Freire – apoiaram a causa.

O evento começou com uma partilha de Yasmin Bhudarally, CEO do grupo NEYA Hotels, sobre a história da criação do Quarto Solidário. Discursaram também representantes de dois parceiros do projeto. Rosa Valente de Matos, Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central, e Ana Patacho, gestora da Fundação Infantil Ronald McDonald.

Evento Quarto Solidário
Evento de apresentação do Quarto Solidário

É de destacar ainda a partilha em primeira pessoa de Vera Valdanta, mãe de uma das famílias acolhidas no NEYA Lisboa Hotel durante dois meses, em plena pandemia. “Fez-me sentir em casa, foi isso que senti e era disso que eu mais precisava, longe de casa e da minha família, completamente sozinha numa cidade onde só o que eu tinha era um filho dentro de uma incubadora a lutar pela vida, o acolhimento que tive foi muito importante para me dar força e coragem”, disse a mãe.

Numa altura em que o país parava e os hotéis fechavam, a doença continuava a não dar descanso. Nessa fase o NEYA Lisboa Hotel decidiu não fechar portas aos que mais precisavam. “Nós tínhamos o hotel com famílias que precisavam de estar próximas dos hospitais, pois com a COVID-19 os pais não podiam ficar muito tempo no hospital, mas precisavam de um quarto perto dos seus mais que tudo”, explicou-nos a Diretora Geral.

A atriz Fernanda Serrano marcou presença no evento para partilhar a sua experiência pessoal. Falou do papel importante que a família tem na sua vida e em como necessita dela para se sentir bem e feliz.

No fundo, o Quarto Solidário posiciona-se como um projeto que vai muito além do que a disponibilização de um quarto e de um pequeno-almoço. É apoio, conforto, solidariedade e compaixão. “O apoio emocional que damos a estas famílias, na minha opinião vale muito porque é connosco que, ao fim do dia, estas mães choram, partilham as suas angústias, partilham as suas dores, as suas preocupações”, concluiu Sara Freire.

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