Novo álbum de MARO já chegou e mostra que crescer também é saber deixar ir. Leia a entrevista

Em entrevista, a artista portuguesa falou sobre o seu novo álbum, “SO MUCH HAS CHANGED”, que traz uma sonoridade mais luminosa e tranquila à sua discografia – mas sem nunca, claro, perder identidade. Saiba tudo.

27 de janeiro marca o dia de mais uma conquista para MARO. A artista portuguesa, que explodiu depois da sua música “Saudade, Saudade” ter representado Portugal na Eurovisão de 2022, lança esta terça-feira o seu nono álbum de estúdio, “SO MUCH HAS CHANGED”, e promete mostrar que, realmente, muita coisa mudou na sua vida.

Com uma espera de quase três anos, uma vez que o seu álbum anterior, “hortelã”, saiu no início de 2023, o novo disco surge com uma sonoridade mais leve, tranquila e luminosa, mas sem nunca perder a autenticidade de MARO.

Nascida em outubro de 1994, MARO começou os seus passos no mundo da música com apenas 4 anos, e talvez não imaginasse que, um dia, estaria a representar Portugal no maior festival de música do mundo e a abrir digressões para nomes tão conhecidos como Shawn Mendes. O seu nome ficou na boca dos portugueses quando venceu o Festival da Canção e, posteriormente, ficou em nono lugar dos 25 finalistas da Eurovisão de 2022, surgindo, aos poucos, aos ouvidos de pessoas em todo o mundo.

Nesse mesmo ano lançou o álbum “can you see me?” e, em 2023, surge então o “hortelã”. Com cada vez mais fãs à sua volta, MARO foi crescendo não só de nome como também de personalidade, com experiências de vida a desafiar a sua postura enquanto cantora e, no fundo, enquanto pessoa. No entanto, ao contrário do que poderiam ter pensado, o sucesso não foi escasseando, e sim aumentando cada vez mais. MARO é, nos dias de hoje, uma das mais conhecidas cantoras portuguesas contemporâneas, e não se vai ficar por aqui.

E, na verdade, não se ficou mesmo. “SO MUCH HAS CHANGED” surge como “aquela mudança típica de mentalidade dos 29 para os 30 anos”, como a artista explicou à MAGG, sendo que o álbum começou a ser gravado em junho de 2024, precisamente poucos meses antes do 30.º aniversário de MARO.

Posto isto, o novo disco vem assim com a mesma MARO mas a sentir-se mais adulta, com experiências de há dois anos que ainda se mantêm nos dias de hoje e um amor próprio que precisou de uma música para se expressar. 

E se o quiser ouvir ao vivo (e todos os seus outros êxitos), saiba que poderá fazê-lo. MARO vai começar uma digressão mundial no início de março com o primeiro concerto a acontecer em Berlim, mas passará por Lisboa e pelo Porto nos dias 26 e 28 de março, respetivamente. Pelo meio terá ainda espetáculos em países como Itália, Luxemburgo, Inglaterra, Espanha ou Países Baixos, passando depois para os EUA, e se quiser garantir o seu lugar em Portugal, os bilhetes estão disponíveis entre os 22€ e os 38€. Mas até lá, leia a entrevista.

Leia a entrevista.

“SO MUCH HAS CHANGED” soa quase como uma constatação tranquila, sente-se mais tranquilo que dramático. O título surgiu cedo ou foi algo que só fez sentido quando o disco ficou completo?

“Na verdade foi quando a música ‘SO MUCH HAS CHANGED’ nasceu. Eu fui para o estúdio com 10 temas preparados, e nos dois primeiros dias acabei por escrever oito novos, e claramente deu para perceber que estava numa fase em que tinha muita coisa na cabeça. A ‘SO MUCH HAS CHANGED’ foi uma das que escrevi, e eu acho que engloba tão bem essa minha fase que acabou por ficar logo óbvio que aquilo seria o disco”.

Quando a MARO iniciou o processo deste novo álbum, havia algum sentimento ou história que sabia que queria contar desde o início? Ou foi algo que surgiu à medida que as canções foram ficando prontas?

“A única coisa que eu tinha claro era que eu queria que fosse tal como tudo o que eu fiz para trás, ou seja, 300% eu. A parte nova aqui é que isso também acontece no visual, nos vídeos e tudo mais. Eu sei que as pessoas já me veem, já veem isso em concertos, porque claramente a pessoa que vai para o palco é a mesma pessoa que vive em casa e que está com amigos, por exemplo, mas ao mesmo tempo em vídeos e tudo mais eu nunca fiz grande coisa e, portanto, essa era a ideia mais sólida.

O disco foi gravado em junho de 2024, e foi quando aconteceu tudo, a ideia de tudo. E depois voltei para uma digressão e isso acabou por ficar guardado no armário, mas já meio a saber que era aquilo que eu queria fazer, que era o próximo capítulo. E depois, no início do ano passado, em abril, foi quando eu realmente me junto outra vez com o produtor e começamos a terminar, a mergulhar no disco. E apesar de ter começado em 2024 sinto que continuou bastante presente, todas as aprendizagens que vieram nessa altura continuam bastante presentes”.

“SO MUCH HAS CHANGED” é exclusivamente inglês. Sentiu algum tipo de entrave ao cantá-lo todo numa outra língua?

“Não, nada. Isso sempre foi outra realidade para mim, porque quando passo mais tempo em Portugal, às vezes escrevo mais em português, mas também existem vezes em que eu escrevo mais em inglês. Depende sempre um bocado do ambiente, de onde eu estou e tudo mais e eu não filtro, não tento mudar o rumo de nada. Se está a acontecer de certa maneira eu deixo, foi o que aconteceu desta vez com o inglês”. 

“KISS ME” foi uma das canções que deu conhecer ao público antes de o álbum sair, e a verdade é que o beijo, na música, parece mais simbólico que literal. O que é que esse ‘KISS ME’ representa?

“Foi uma canção que nasceu desse autoconhecimento com mais profundidade, e até foi uma canção escrita para mim sobre amor próprio. Eu estava quase a dormir quando a escrevi, estava naquela ideia de estar animada com a vida e de estar a gostar do disco, e de repente eu estava com a guitarra e comigo mesma e dizia para mim ‘bora sonhar com tudo o que queremos fazer, onde queremos chegar’. Era a tal coisa de eu nunca me priorizar, e foi o perceber que me faltava isso antes de tudo o resto. Então a música é um bocadinho essa promessa de ‘vou-me escolher sempre’”. 

Houve alguma parte que sentiu mais difícil ao criar este álbum? Alguma canção que se calhar a desafiou emocionalmente?

“A ‘Love’s Not Too Big’ acho, porque só quando pus para fora e escrevi, meio sem pensar, é que pensei ‘é isto mesmo que eu estou a sentir’. O que é estranho, não é? Porque sou eu que escrevo as músicas, mas a minha maneira de escrever sempre foi um bocadinho assim, meio que uma terapia. E a ‘SO MUCH HAS CHANGED’, depois de ouvir, foi a canção que me deixou mais emocionada.

Depois de gravada, sempre que ouvíamos eu ficava emocionada, porque numa parte falo que um dia vou perder a minha avó, e ela ainda cá está mas é no sentido de já estar a aceitar isso. Acho que é isso, eu acho que talvez a ‘SO MUCH HAS CHANGED’ seja, assim, a canção que tenha quase custado mais. É sobre aceitar que a vida acontece, mas que há um lugar sempre triste nisso, e, portanto, o disco é sobre deixar ir e aceitar também que a vida tem coisas boas e coisas más”. 

O álbum “hortelã”, de 2023, tinha um som mais íntimo e acústico. “SO MUCH HAS CHANGED” parece estar mais luminoso. Como é que foi para si mudar de um espaço mais contido para este novo registo?

“Acho que é só a surpresa de olhar para trás e pensar que são dois lugares realmente diferentes. É um bocado quando tens um filho que vai crescendo e tu não notas muito bem até que de repente vês duas fotografias lado a lado. Eu sinto que foi um bocadinho isso que aconteceu, foi a mudança do dia a dia que me levou a um lugar onde, depois do ‘hortelã’, nasceu o ‘SO MUCH HAS CHANGED. Só agora olhando para trás é que fico mesmo ‘uau, que diferença de lugar’, mas na altura a fazer o álbum ele não veio de um posicionamento difícil, foi um processo de quase dois anos onde eu também fui mudando gradualmente”.

Mesmo sem ser um disco espiritual no sentido mais clássico, sente que este álbum toca em algo maior, como conexão ou presença?

“Sim, completamente. Eu na verdade até me considero bastante espiritual, e acho que este disco é também sobre isso, sobre estar em contacto com o nosso interior e aceitar que a vida é mesmo assim. Vem de um lugar de aceitação, e é a crença de estarmos aqui por um determinado período de tempo e aceitar isso. Lá está, é a ideia de aceitar em vez de lutar, e isso já toca num nível espiritual. E isso também aconteceu comigo, porque eu enquanto escrevia as canções notou-se claramente o lugar em que eu estava, e a música é a minha terapia nesse aspeto, a minha crença. É a minha maneira de processar o que eu sinto, as minhas dúvidas, certezas, preocupações, tudo no geral”.

Tocar ao vivo também é uma forma de contar histórias, e a MARO vai-se lançar novamente para o desconhecido e fazer uma digressão, que passa por Portugal no final de março. Como é que imagina este novo álbum a ganhar vida?

“Ao vivo imagino uma coisa ainda com a identidade, e vou estar com banda. Até porque eu acho que ainda há qualquer coisa muito intimista neste álbum, e eu sinto que com a banda vai ficar uma vibe meio início dos Coldplay, quando não tinha a parte mais eletrónica. Uma coisa onde as músicas consigam, de certa maneira, sentir-se, com o público e umas com as outras. Uma cena assim mais cozy, mais acolhedora, mais familiar, mas feito com banda”.

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