Blade Runner deu a ideia e Yan Fossat desenvolveu uma aplicação que deteta diabetes pela voz

É através de biomarcadores de voz que a equipa da Klick está a trabalhar para identificar a diabetes, sem necessidade de equipamentos invasivos e usando apenas o telemóvel e modelos que já foram trabalhados com vários grupos de teste.

Basta uma pergunta simples para a aplicação da Klick estimar qual é o nível de açúcar no sangue (glicémia) e a probabilidade de uma pessoa ter diabetes. Pode parecer estranho mas a base é uma investigação científica desenvolvida pela equipa de Klick e Yan Fossat mostrou hoje em Lisboa o projeto, na conferência Medical AI que decorre hoje na Fundação Champalimaud.

Em conversa com o TEK, Yan Fossat,  explicou que a ideia surgiu do filme Blade Runner, onde uma personagem usava identificação de marcadores por voz, e que se somou à sua própria investigação em biomarcadores digitais. A partir dai começou a aplicar o conceito dos biomarcadores vocais ao diabetes, mas também para a identificação de hipertensão.

“Queríamos um sistema que não fosse invasivo, ou muito caro, e hoje todas as pessoas têm um smartphone”, explica Yan Fossat.

Para já ainda é uma API, não está nas lojas de aplicações porque teria de ter a classificação de dispositivo médico, mas a ideia é dar continuidade ao projeto, com um modelo de negócio baseado em licenciamento. “Por enquanto estamos focados em resolver o problema médico […] estamos a trabalhar na ciência”, justifica.

A equipa treinou um modelo com um grupo de pessoas com diabetes e outras sem a doença, com a mesma distribuição de idade de índice corporal (IMC) e fez análises de algumas frequências na voz. Com esses dados criou o modelo de inteligência artificial que é capaz de processar a informação da voz e perceber se a pessoa está no grupo de  diabéticos ou com propensão para ter diabetes.

Aplicação diabetes Yan Fossat da Klick

Considerando que as diferenças de grupos étnicos, região e até a meteorologia podem influenciar a propensão para ter os níveis de glicémia elevados, a equipa já fez testes no Canadá e na Índia, e um outro grupo fez o mesmo estudo no Luxemburgo e nos Estados Unidos.

“Todos atingiram os mesmos resultados de que as pessoas com diabetes podem ser identificadas pela voz. É um indicador muito bom de que é universal”, adiantou Yan Fossat.

“Ainda temos de testar em mais regiões”, justifica, e neste momento ó investigador está a candidatar-se a uma bolsa no Canadá para fazer um estudo de dois anos com 10 mil pessoas, multi étnico, avaliando também pessoas oriundas do sul da Ásia, explorando também a viabilidade de fatores como os sotaques. “Ainda estamos a fechar as variáveis mas já temos muitas certezas de que funciona com humanos em geral”, defende.

Veja o vídeo

Por enquanto a aplicação funciona com frases em inglês mas a equipa de investigação está a trabalhar num modelo universal que não esteja ligado à língua. “Pode dizer blablabla, ou falar na sua língua, que o modelo vai entender os indicadores acústicos para fazer o diagnóstico”, explica.

Yan Fossat partilhou ainda que a equipa fez também um estudo com biomarcadores de voz para detetar a hipertensão, em que tinha frase fixas e frases aleatórias, que acabam por ser adaptáveis em qualquer língua, e o modelo não estava à procura de padrões específicos mas dos dados acústicos, e que diz que correu muito bem. Este estudo já foi publicado online.

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