Sem espaço para 4º operador, consolidação e sustentabilidade são palavras chave nas telecomunicações

Ainda apenas com 3 operadores em palco, o debate do Estado da Nação do 33º Congresso da APDC mostra que há vários pontos em que responsáveis pelas empresas estão de acordo. A necessidade de garantir a rentabilidade, a crítica da política de novos entrantes e a consolidação são consensuais.

A intervenção da presidente da ANACOM antes do debate do Estado da Nação do 33º Congresso da APDC acabou por dar o mote para os temas abordados no painel que juntou os três principais operadores de telecomunicações em Portugal, a Altice, NOS e Vodafone. A reação à ideia de que existe receio da entrada próxima da DIGI e que os operadores podem ter soluções criativas foi comentada pelos responsáveis pelas três empresas, mas o debate centrou-se sobretudo na necessidade de garantir sustentabilidade do negócio e rentabilidade, o que na opinião de todos é incompatível com a entrada de um novo operador em Portugal.

Ana Figueiredo, CEO da Altice Portugal, lembrou que pela Europa assistimos a operações de consolidação, e que as empresas precisam de regulação que lhes permita ter escala para rentabilizar o investimento. “Debate-se muito o preço e trazer mais players [para o sector]”, afirma, dizendo que não é suposto e nem existe espectro disponível. “Falta falar do que investimentos e de como Portugal compara muito bem com países europeus”, defende, o que foi feito pela competição entre os três operadores que estão presentes no debate.

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Na mesma linha, Miguel Almeida, CEO da NOS, lembra que a própria Europa já reconheceu que o futuro passa por encontrar equilíbrios entre o investimento e a sustentabilidade dos operadores e que falar de formas criativas de ir buscar receitas é “uma visão de curto prazo e tem consequências graves”. O líder da NOS referiu várias vezes o relatório europeu onde se reconhece que a situação dos operadores torna impossível atrair investimento privado e aponta a consolidação como solução.

Essa situação é “maximizada em Portugal”, defende Miguel Almeida. “A política de novos entrantes é errada e deve ser revertida”, avisa, dizendo que se isso não acontecer estamos a “condenar Portugal a falhar transição digital” e que existem consequências dramáticas. É um risco que existe na Europa e em Portugal”.

Com uma operação de consolidação “presa” à espera de aprovação, e depois de um sentido provável de decisão negativo à compra da Nowo, Luis Lopes , CEO da Vodafone Portugal afirma que o investidor estrangeiro na empresa encara esta “situação em portugal com uma preplexidade enorme e incompreensão muito grande, como aconteceu em relação ao leilão do 5G”. E avisa que “existe sempre um risco muito grande quando um investidor estrangeito não entende o que se passa no país”.

O CEO da Vodafone critica ainda a demora na avaliação da operação, e a valorização dos riscos de fusão com um operador que tem 2% de quota de mercado. “Em Portugal uma operação de concentração de uma empresa com margem residual é vista, do ponto de vista concorrencial, como sendo mais complicada que aquela em Espanha que deu origem ao maior operador”, lamenta.

MEO, NOS e Vodafone continuam unidos contra a entrada de um quarto operador

A ideia não é nova mas foi mais uma vez sublinhada: não há espaço para um quarto operador em Portugal. Miguel Almeida defende mesmo que “para um mercado como português é evidente que a dimensão não pode ser superior a 3 operadores” e afirma que “a medida de sucesso de mandato de regulador é criar as condições, incentivar e impulsionar a consolidação”.

Ana Figueiredo e Luis Lopes admitem não saber o que a DIGI está a preparar em termos de ofertas e durante o debate foram referidos pelo CEO da Vodafone a existência de contratos de trabalho temporários e carros de matrícula estrangeira a instalar fibra. Ficou ainda o aviso de que a operadora não ficará pelos serviços móveis e fixos e que quer entrar no mercado de TV.

Luis Lopes lembrou ainda que Portugal já teve um quarto operador, no leilão do 3G. “A Oniway acabou por não entrar porque se concluiu que mercado não tem escala para operar de forma rentável este número de redes”, avisou. 

Em relação à rentabilização do 5G, os três operadores admitem que o cenário é complexo, mas que não depende só dos operadores e tem vários fatores. “Ainda é cedo para avaliar a rentabilização do 5G […] mas seria irresponsável ignorar que primeiros sinais não são brilhantes”, admite Migeul Almeida. Ainda assim todos concordam que é preciso continuar a investir e não recusam a evolução da tecnologia para velocidade mais rápidas nas redes fixas e o cenário de evolução para o 6G.

Já no final do debate, Miguel Almeida deixou a ideia de que “está na hora de um debate sério para perceber o que podemos fazer para melhorar a concorrência”. O CEO da NOS diz que esse debate não existe, e que os operadores só se encontram uma vez por ano na APDC para o debate do Estado da Nação. “É estranho”, afirma, dizendo que essa abertura existe na União Europeia, que debate estratégias com os operadores, e também noutros países. “Penso que era importante que novo governo abra esse novo espaço, que se debata e acabe com os mitos”, atira.

Apesar do apelo final a um espaço de diálogo, que poderia ser criado pelo Governo, Miguel Pinto Luz, o ministro das infraestruturas e habitação, não foi brando ao dizer que é preciso encontrar uma forma de o sector recuperar o crescimento fervilhante e que tem de haver formas de considerar a remuneração do capital investido.

O governante, que assumiu o cargo há 33 dias, refere que fez bem a divisão de temas com os secretários de Estado ao chamar a si a pasta das telecomunicações. ” Já percebi que neste sector o alvo não é o ministro, mas o regulador“, afirma, prometendo a Sandra Maximiano, presidente da ANACOM, todo o apoio ns suas funções.

Miguel Pinto Luz concordou com um dos argumentos apresentados pelos operadores, e a ideia de que as comunicações “são um setor que tem margens esmagadas, onde a arquitetura regulatória da concorrência limita a inovação”, admitindo que “sofreu impactos sucessivos com a introdução de novos players” e que “a evolução tecnológica obriga a ciclos sucessivos de investimento”. Por isso diz que “precisamos de encontrar novas formas de dar robustez à inovação do setor”, porque isso é essencial para liderar os próximos ciclos de desenvolvimento”.

O SAPO TEK é media partner do 33º Congresso da APDC e está a acompanhar os debates e apresentações. Acompanhe aqui todas as notícias e veja as imagens.

APDC 2024

33º Congresso da APDC - Miguel Pinto Luz, ministro das infraestruturas e habitação33º Congresso da APDC - Miguel Pinto Luz, ministro das infraestruturas e habitação33º Congresso da APDC - Miguel Almeida, CEO da NOS33º Congresso da APDC - Miguel Almeida, CEO da NOS33º Congresso da APDC - Miguel Almeida, CEO da NOS33º Congresso da APDC - Sandra Maximiano, presidente da Anacom 33º Congresso da APDC - Sandra Maximiano, presidente da Anacom 33º Congresso da APDC - Sandra Maximiano, presidente da Anacom 33º Congresso da APDC - Ana Figueiredo, CEO da Altice Portugal33º Congresso da APDC - Ana Figueiredo, CEO da Altice Portugal33º Congresso da APDC -Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal33º Congresso da APDC -Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal33º Congresso da APDC -Luís Lopes, CEO da Vodafone Portugal33º Congresso da APDC - Debate o Estado da Nação de Telecomunicações33º Congresso da APDC - Sandra Maximiano – President, Portuguese Communications Regulatory Authority (ANACOM)33º Congresso da APDC - João Osório Mora – Managing Director, Cellnex33º Congresso da APDC - Tiago Marques - Director of Digital, EDP Generation33º Congresso da APDC - Paolo Favaro - Managing Director, Vantage Towers33º Congresso da APDC - Fibercos & Towercos ' Role In Digital  Transformation33º Congresso da APDC - Tiago Marques – Director of Digital, EDP Generation33º Congresso da APDC - Pedro Rocha – CEO, FastFiber33º Congresso da APDC - Pedro Rocha – CEO, FastFiber33º Congresso da APDC - Nicolau Santos – President, RTP33º Congresso da APDC - Pedro Morais Leitão – CEO, Media Capital33º Congresso da APDC - Francisco Pedro Balsemão – CEO, Impresa33º Congresso da APDC - Luís Santana – CEO, Medialivre33º Congresso da APDC - Carla Martins – Member of the Board, Portuguese Media Regulatory Authority 33º Congresso da APDC - Sérgio Catalão - Nokia Portugal CEO33º Congresso da APDC - Sérgio Catalão - Nokia Portugal CEO33º Congresso da APDC - Sérgio Catalão - Nokia Portugal CEOtek Juan Olivera33º Congresso da APDC - Rodrigo Cordeiro33º Congresso da APDC -  Jéssica Domingues - Head of Cibersecurity Unit, SPMS:33º Congresso da APDC - Jéssica Domingues - Head of Cibersecurity Unit, SPMS33º Congresso da APDC - Inês Antas de Barros – Sócia da Área de Comunicações, Proteção de Dados & Tecnologia, VdA33º Congresso da APDC - Inês Antas de Barros – Sócia da Área de Comunicações, Proteção de Dados & Tecnologia, VdA33º Congresso da APDC - Inês Antas de Barros – Sócia da Área de Comunicações, Proteção de Dados & Tecnologia, VdA33º Congresso da APDC - Yasmina Laraudogoitia - Public Policy & Government Affairs Manager, TikTok España & Portugal33º Congresso da APDC - Yasmina Laraudogoitia - Public Policy & Government Affairs Manager, TikTok España & Portugal33º Congresso da APDC - Yasmina Laraudogoitia - Public Policy & Government Affairs Manager, TikTok España & Portugal33º Congresso da APDC - Sessão 33º Congresso da APDC - Pedro Norton - President of APDC (Mar’11-Jan’13)33º Congresso da APDC - Rogério Carapuça - 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Painel PORTUGAL'S PRR: SHOWCASING AI FOR THE FUTURE33º Congresso da APDC - Sebastião Villax - Sr. Strategic Partnerships & Alliances Manager, https://Defined.ai33º Congresso da APDC - Sebastião Villax - Sr. Strategic Partnerships & Alliances Manager, https://Defined.ai33º Congresso da APDC - João Martins de Carvalho – Executive Board Member, E-Redes33º Congresso da APDC - Francesco Costigliola - Chief Analytics Officer, CGD33º Congresso da APDC - Miguel Leocádio – Executive Board Member at Glintt Global33º Congresso da APDC - Rui Lopes – CEO, AgentifAI33º Congresso da APDC - APDC 202433º Congresso da APDC - Carme Artigas – Former Spain’s Secretary of State for Digitalization and Artificial Intelligence; Co-Chair of the UN High-Level Advisory Board on Artificial Intelligence:33º Congresso da APDC -  - Siim Sikkut - Former Government CIO of Estonia; Managing Partner at Digital Nation:33º Congresso da APDC 33º Congresso da APDC 33º Congresso da APDC - Carme Artigas – Former Spain’s Secretary of State for Digitalization and Artificial Intelligence; Co-Chair of the UN High-Level Advisory Board on Artificial Intelligence:33º Congresso da APDC - Siim Sikkut - Former Government CIO of Estonia; Managing Partner at Digital Nation:33º Congresso da APDC - Francis Fukuyama - Philosopher & Political Economist33º Congresso da APDC -  Francis Fukuyama - Philosopher & Political Economist33º Congresso da APDC33º Congresso da APDC -  Arlindo Oliveira é o Presidente do 33º Congresso33º Congresso da APDC - Painel LIVING IN A FUTURE WITH AI33º Congresso da APDC - Painel  PORTUGAL 2030 DIGITAL STRATEGY: AI, WEB 3.0 AND DATA33º Congresso da APDC - Painel  PORTUGAL 2030 DIGITAL STRATEGY: AI, WEB 3.0 AND DATA33º Congresso da APDC -  Arlindo Oliveira,  Presidente do 33º Congresso33º Congresso da APDC - Arlindo Oliveira  Presidente do 33º Congresso33º Congresso da APDC 202433º Congresso da APDC - Entrada33º Congresso da APDC 33º Congresso da APDC33º Congresso da APDC 33º Congresso da APDC
Nota da Redação: A notícia foi atualizada com mais informação.

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