Desde 2017 que o Cavalariça, liderado pelo chef Bruno Caseiro, faz as delícias de quem passa pela Comporta. Agora, já pode provar pratos como o brioche com parfait de aves e as ostras com molho de maracujá na Rua da Boavista, em Lisboa.
Quem entra no Cavalariça Lisboa não imagina que este espaço já foi uma antiga loja de motores elétricos. Do comércio para a restauração, entre 2017 e 2020 abriu portas como o restaurante Optimista, e dá agora lugar ao mais recente espaço do chef Bruno Caseiro, e o “irmão mais novo” do Cavalariça, já famoso na Comporta, inaugurado em 2017.
No restaurante lisboeta, que abriu novamente no final de junho — o Cavalariça Lisboa está neste espaço em regime de pop-up até se instalar definitivamente no Largo Camões —, o conceito de partilha do espaço original mantém-se, embora apenas o brioche torrado com parfait de aves (8,50€) viaje da Comporta até à capital. De resto, a carta é toda nova e pronta a surpreender os clientes habituais do Cavalariça, que têm visitado o novo espaço, agora na capital.
O Cavalariça Lisboa impacta logo à entrada, mal nos deparamos com o unicórnio em pedra numa das paredes, que o chef Bruno Caseiro revela ter sido uma total coincidência. “O unicórnio já aqui estava quando ficámos com o espaço, era do antigo restaurante. Mas faz uma ponte com os cavalos, que fazem parte do nosso universo, e deixámos ficar”, explica o chef à MAGG.

Mas não é apenas esta figura que dá vida ao espaço. Com um pé direito alto e a cozinha ao fundo, com vidros para que possamos apreciar o trabalho não só do chef, como de Bruno Antunes, o subchef e restante equipa do Cavalariça Lisboa, a decoração faz-nos querer levar tudo connosco para casa.
A rigidez da pedra é cortada com as cores alegres e fortes das almofadas que decoram o espaço, e apesar das linhas simples do restaurante, a atenção ao detalhe é irrepreensível.
Foi enquanto ainda nos deslumbrávamos com a beleza do espaço que começaram a chegar os primeiros pratos, já depois de acedermos ao desafio de partilhar tudo o que viesse para a mesa, sem olhar muito para a carta — estávamos na mão do chef e da simpática e atenciosa sommelier, que combinou na perfeição vários vinhos com os pratos que nos iam chegando.
Deixe as decisões com o chef: é garantido que não vai sair a perder
Abrimos as hostes com o couvert, composto por pão, foccacia com tomate cherry, brioche, manteiga envelhecida e azeite extra-virgem (5€), que tivemos de repetir principalmente devido ao brioche, que só por si é mais do que motivo para agendar uma visita ao espaço. Com uma textura leve e ligeiramente adocicado, é o complemento perfeito à manteiga e sentimos que podíamos comer dez de seguida. A sério, foi um milagre termos ficado por dois.

O espumante Ninfa Reserva Pinot Noir 2016, do Tejo (14,50€ copo/ 70€ garrafa), foi o mote dos pratos que se seguiram: as ostras com molho de maracujá e rábano picante (2,75€ a unidade) e a gamba rosa com limão e pele de galinha torrada (7€), um prato verdadeiramente surpreendente devido à textura da pele de galinha, cujo sabor ainda nos está no paladar (ou na memória, na verdade).
Ainda nos pratos considerados como snacks e entradas na carta (mas que são ideais para partilhar), provámos o peixe selvagem curado com alperce e funcho (12€) e o kebab de ananás dos Açores com iscas de porco alentejano (6€), acompanhados do Monte da Casteleja Arinto Perrum 2019, do Algarve (48€ garrafa).

Antes de passarmos para os pratos principais, houve tempo para provar a tempura de shiso, vaca maturada e alcaparra frita (12,50€), o par perfeito para o tinto Lagar de Baixo Niepoort Baga 2018, da Bairrada (10,80€ copo/ 52€ garrafa).
A presa de porco alentejano com beldoregas e milho assado (16,50€) foi o prato principal eleito pelo chef, que chegou à mesa com um extra de batata de dupla fritura com pimenta preta e toucinho (6,50€), tão viciante quanto boa, e que desapareceram em três tempos. A acompanhar, um novo tinto, desta feita o Trans Douro Express 2016, do Douro (7€ copo/ 32€ garrafa).
Terminamos a refeição com fruta, mas não uma fruta qualquer: falamos de um pêssego cortado em fatias finas com gelado de funcho e brioche (8,50€), a nota fresca e perfeita para finalizar a noite.

Embora possa pedir vários pratos para partilhar e compor uma espécie de menu de degustação próprio, dentro de poucos dias o Cavalariça Lisboa lança dois menus para este efeito, apelidados de Rédea Solta. Tal como o próprio nome indica, aqui a escolha fica a cargo do chef, tal como no jantar da MAGG, e tem apenas de escolher entre a opção de cinco pratos (50€) ou sete (65€).
Outra novidade, e que já pode experimentar durante a semana, são os novos menus de almoço, compostos por três pratos — entrada, prato principal e sobremesa —, servidos de terça-feira a sexta-feira, pelo valor de 25€. Embora as bebidas não estejam incluídas, existem várias opções de vinho a copo (incluíndo alguns dos vinhos já mencionados), kombuchas caseiras e cocktails de autor.