O novo Café de São Bento é o último a abrir em Lisboa — e tudo para manter a qualidade do melhor bife da cidade

Com a abertura oficial marcada para esta quinta-feira, 15 de janeiro, o novo espaço do Café de São Bento é o maior de todos — mas o sentimento de casa e o melhor bife da cidade por lá continuam. Saiba tudo.

Numa era em que há bowls em cada esquina, spots de pequenos-almoços com estética escandinava e cartas em inglês por toda a cidade e um centro a rebentar de turistas (e as respetivas armadilhas), 2026 arranca com uma novidade que equilibra sabores clássicos, sentimento de casa e pertença e uma vontade de voltar a receber os lisboetas — mas atenção que todos são bem-vindos.

Falamos do novo Café de São Bento da Baixa, localizado nas Portas de Santo Antão, em Lisboa, no recém-inaugurado 1904 Benfica Hotel. Com a inauguração oficial marcada para esta quinta-feira, 15 de janeiro, a MAGG teve oportunidade de conhecer o maior Café de São Bento do grupo, que conta com 70 lugares, e também o último a abrir em Lisboa, garante Miguel Garcia, empresário detentor do grupo de restauração, a que também pertence o Bougain, Corleone e Snob.

“Tem que ver um bocadinho com preservar a história, preservar a autenticidade de cada espaço. Porque à medida que uma marca vai crescendo, vai-se expandindo num período curto, começa a perder, no fundo, a sua autenticidade e o seu fator especial. E eu quero muito que o Café de São Bento permaneça ainda, durante muito tempo, um lugar especial, um lugar único”, diz Miguel Garcia à MAGG. Atualmente, ao novo da Baixa, junta-se o restaurante original em frente à Assembleia da República aberto desde 1982, o de Cascais e o espaço no Time Out Market, no Cais do Sodré.

Miguel Garcia
Miguel Garcia, grupo São Bentocréditos: Afonso M Pires

Obviamente que já disse que não me importava ir para o Porto com o Café de São Bento, mas só se houver alguém do Porto que o leve. Porque um Café de São Bento do Porto tem que ser feito por uma pessoa do Porto”, esclarece, salientando que se trata apenas de uma ideia, e não de um objetivo claro — algo que partilha com o espaço que acaba de nascer.

Créditos: Rafael Cortinhas

“Vieram-me contar, há uns dois anos e meio, que havia um espaço que tinha a cara do Café de São Bento. Um lugar cheio de história, um lugar em Lisboa muito especial. Conheci quem estava a desenvolver o hotel, e quando vi o espaço e vi as primeiras imagens, vi o potencial. E não só apenas pelo espaço, não só o edifício, mas também porque estamos nas portas de Santo Antão.”

Para Miguel Garcia, a localização do novo restaurante, na rua do Coliseu dos Recreios, do Teatro Politeama, e muito perto do Tivoli, faz parte do encanto e da mística do Café de São Bento. “Isto é uma rua muito especial de Lisboa, cheia de história, onde coisas antigas ainda permanecem. E acho que a vinda do Café de São Bento vai ajudar muito a que Lisboa permaneça especial nesta rua, que não seja apenas de turistas, que seja uma rua que possa reanimar para os lisboetas. Esse é o objetivo, é trazer os portugueses para aqui e, consequentemente, os turistas que aqui vêm”, diz.

O bife é ótimo, mas o sentimento de casa é o que faz regressar os clientes

O chamariz desta casa pode ser o famoso bife com o molho secreto e uma receita com 40 anos, inspirado no Bife à Marrare, mas, para Miguel Garcia, há outros fatores que cativam os clientes e, mais importante ainda, fidelizam.

“Trazemos aquilo que os outros espaços de franchising não têm. Não têm a forma de estar, não têm a hospitalidade, a arte de bem receber, tratar bem os clientes, saber o que é que os clientes gostam quando regressam, saber o nome, saber em que mesa gostam de se posicionar, conhecer os filhos, os netos, os familiares. E aquilo que nós tentamos fazer nos restaurantes, não só nos Café de São Bento que abriram, mas também nos outros restaurantes do grupo, é justamente tentar trabalhar nesse patamar, no patamar da hospitalidade, das pessoas se sentirem bem recebidas, como se estivessem em casa, e que consigam criar laços, e obviamente aqui depois também conseguimos com que as pessoas permaneçam nos locais”, diz o empresário.

“As pessoas voltam ao Café de São Bento não é só porque o bife é ótimo, e podem ter a certeza que é, mas não é só isso. Eu diria que isso conta 50%, e os outros 50 são as pessoas que lá estão. Ainda no outro dia estiveram aqui o Fernando e o Agostinho, os dois juntos têm 70 anos de casa, receberam as pessoas ao longo de anos, muitas pessoas que começaram quando estavam a namorar, casaram-se, trouxeram os primeiros filhos e já levam os netos ao restaurante original. Isto é uma coisa espetacular. E é isto que eu, a médio-longo prazo, gostaria muito de dar continuidade nesta indústria da restauração e da hospitalidade. Porque eu acho que é isto que faz uma verdadeira casa.”

Um espaço icónico com pratos de sempre e novidades para ter desculpa para voltar

O novo Café de São Bento da Baixa abre no local onde, durante muitos anos, funcionou o Bristol Club. Do espaço antigo, onde as refeições se juntavam ao jogo, ao fado e aos concertos de jazz, permanecem duas estatuetas de Leopoldo Almeida, o criador do Padrão dos Descobrimentos, perfeitamente intactas e que são a alma da ampla sala, onde a elegância casa na perfeição com os elementos clássicos do Café de São Bento, como o veludo vermelho, e com outros inspirados na antiga era do local dos anos 20 e 30, como o tecto e os nichos.

Já nas belas mesas do restaurante, que chegam de Paços de Ferreira, há muito para provar, com uma junção perfeita entre clássicos e novidades. “Trouxemos rigorosamente tudo do restaurante original. O chefe esteve lá bastante tempo, o chefe João. E fizemos algumas adições, acrescentámos alguns pratos novos”, explica Miguel Garcia.

Nas entradas, os croquetes (2,50€ à unidade) prometem ser uma paragem obrigatória num rally deste salgado e concorrer com os outros já famosos de Lisboa. Ao incrível tártaro de novilho (14€) e ao clássico foie gras de pato (13€), entre outras opções, juntam-se novidades como os camarões al ajillo (13€), onde o segredo do molho ligeiramente adocicado é o vinho do Porto, as ostras (14€/28€), as amêijoas à Bulhão Pato (16€) e os peixinhos da horta (8€).

Créditos: Afonso Moreira Pires

O clássico bife com molho à Café de São Bento não arreda obviamente pé , complementado com batatas fritas cortadas à mão, mas há novidades, com a adição do bife ao molho Madeira, com cogumelos. “Trouxemos esta receita porque está praticamente quase em extinção. A mesma carne, com um molho demi-glace com vinho Madeira, que é ótimo e tem uma forte ligação à história dos cafés lisboetas. Algumas casas ainda o têm, mas poucas”, refere Miguel Garcia.

Para além destas opções, a carta conta ainda com o bife à portuguesa, com alho louro e presunto como manda a tradição, e com o corte clássico do chateaubriand, para duas pessoas, cortado na sala, servido com o molho bearnaise e batatas fritas. Todos os bifes têm o mesmo valor — vazia a 25€, do lombo entre 28€ e 33€ consoante o tamanho escolhido —, exceto o chateaubriand, cuja dose custa 52€ e serve dois.

Para garantir que pode voltar ao Café de São Bento inúmeras vezes e variar o que come, há também peixe, como o clássico bacalhau gratinado da casa (20€) e o à brás (22€). Chegam também ao novo restaurante os filetes de peixe-galo (23€), servidos com arroz de tomate e molho tártaro.

Nas sobremesas, pode encontrar todas as que já conhece dos outros restaurantes, incluíndo a maravilhosa tarte tatin de maçã (9€), mas vá por nós e arrisque na novidade do espaço da Baixa, o soufflé de avelã com gelado de baunilha e chocolate quente (14€), que ainda está a fazer o nosso estômago bater palminhas de contentamento.

Para além desta carta, o espaço funciona também com o menu de almoço, de segunda-feira a sexta-feira entre as 12 e as 15 horas, com o valor de 29€ pela combinação de entrada e prato, ou prato e sobremesa (e onde pode pedir tártaro, ostras, o famoso bife à São Bento, filetes, leite creme e muito mais).

Para já, o restaurante vai funcionar na hora de almoço e de jantar, de terça-feira a sábado. No entanto, o espaço vai funcionar com horário alargado em noites de espetáculo em Lisboa (principalmente no Coliseu e no Politeama), e também em dias de jogo do Benfica no Estádio da Luz. A partir de março, há a possibilidade de o Café de São Bento da Baixa funcionar todos os dias e com serviço contínuo.

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