O tipo de letra utilizado na política não é escolhido ao acaso

O tipo de letra que os partidos escolhem não é ao acaso — até porque é capaz de influenciar a leitura que os cidadãos fazem da mensagem, conforme as suas preferências políticas.

Um estudo recente sugere que os tipos de letra utilizadas no universo da política em materiais de divulgação, como cartazes ou panfletos, têm influência na forma como a mensagem chega ao público, influenciando a sua leitura sobre o mesmo. De acordo com a investigação, há um tipo de letra mais virado à direita e outro à esquerda. Pelo menos nos Estados Unidos.

Já outras investigações tinham sugerido o mesmo. Tanto é assim que autores já tinham identificado quatro alterações de tipo de letra que parecem transmitir qualidades ideológicas: letra de aparência mais gótica (que tem semelhanças com cartas escritas à mão), eram geralmente utilizadas pelos mais conservadores, assim como as letras a negrito.

“Este estudo mostra que a fonte desempenha um papel na comunicação política americana, transmitindo a ideologia através da anatomia das suas formas de letra”, diz Katherine Haenschen, autora do estudo. “Através desta investigação, lançámos as bases para estudos futuros que possam identificar relações entre fontes e resultados persuasivos na comunicação política“.

Não é a primeira vez que um estudo vem mostrar que o tipo de letra pode ser reflexo de uma característica ideológica. Veja-se o exemplo levado a cabo pelo jornal “New York Times“:  45 mil leitores receberam um artigo deste jornal na edição online, que fazia parte de um estudo científico que pretendia comparar otimismo e pessimismo.

O artigo foi apresentado em vários tipos de letra diferentes — Baskerville, Comic Sans, Computer Modern, Geórgia, Helvetica e Trebuchet — de modo a analisar se a font teria influência nos resultados. A Baskerville foi aquela que transmitiu mais confiança aos leitores, enquanto que o Comic Sans foi absolutamente descredibilizado.

De acordo com os autores do novo estudo, há vários valores associados aos caracteres tipográficos, além do significado textual nele inscrito. O que é preciso entender é se quem lê consegue ter esta perceção.

Assim, na primeira experiência foram incluídos 987 entrevistados na investigação, a quem foi dada a ler a frase “a raposa castanha rápida saltou sobre o cão preguiçoso”. Estava escrita com a  diferentes fonts e ainda nos estilos regular, negrito e itálico.  Consideraram que a escrita Times New Roman eram mais inclinadas à direita no espectro político. 

Apesar de os métodos terem sido bastante limitados para se chegar a uma conclusão absoluta, os autores garantem que o tipo de letra é capaz de influenciar as pessoas e a forma como as mensagens políticas são recebidas, o que justifica mais investigação sobre o tema.

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