“A falta de saúde oral pode interferir com a gravidez.” Uma especialista explica porquê

Estudos demonstram que mulheres com problemas gengivais têm uma maior propensão para partos prematuros. No Dia da Grávida, falámos com uma dentista que explica todos os cuidados a ter.

A falta de saúde oral pode ter impacto na gravidez. Os dentes e as gengivas ficam mais vulneráveis durante a gestação e há estudos que demonstram que mulheres com problemas gengivais têm uma maior propensão para ter partos prematuros. Esta, no entanto, é uma realidade pouco frequente em Portugal.

Quem o diz é Mariana Nunes, médica dentista na Malo Clinic Lisboa, que afirma que a generalidade das mulheres “tem a saúde oral minimamente cuidada”. No entanto, é verdade que é durante a gravidez que a doença periodontal se agrava na maioria das mulheres.

“A falta de saúde oral pode interferir com a gravidez, principalmente em mulheres que já tenham algum grau de má saúde oral. Se não a prevenirem e tratarem anteriormente à gravidez, durante esse período pode tornar-se mais agressiva devido às hormonas”, explica a médica dentista em entrevista à MAGG.

Dentista
Mariana Nunes é médica dentista na Malo Clinic Lisboa créditos: Divulgação

De acordo com a especialista, a doença periodontal, que é uma doença inflamatória, produz naturalmente prostaglandinas, “que são as mesmas hormonas necessárias para dar início ao trabalho de parto”.

“Mulheres que tenham essa doença ativa e descontrolada”, continua a especialista, podem correr o risco de, caso não seja tratada,  piorar e conduzir a “partos prematuros”.

“As mulheres devem ir ao dentista antes de pensar engravidar”

Os principais sintomas podem ser hemorragias na boca, principalmente após a escovagem, gengivas avermelhadas e inchadas e a doença pode ainda provocar dor, salienta Mariana Nunes que refere que, após estes sintomas, as grávidas devem-se dirigir ao médico dentista.

“Quando isto acontece, é grave. Na verdade, as mulheres grávidas devem até ir ao dentista antes de que qualquer coisa destas aconteça. Mas estes são, sem dúvida, sinais de que a pessoa deve ir ao médico e fazer, pelo menos, uma higiene oral.”

Se na população geral o aconselhado é que se vá ao dentista, pelo menos, de seis em seis meses, Mariana Nunes refere que as grávidas o devem fazer pelo menos uma vez durante a gravidez, mas o melhor é que, mesmo antes de engravidarem, verifiquem se está tudo bem. “As mulheres devem ir ao dentista antes de pensar em engravidar porque pode haver coisas que têm de ser tratadas antes e não podem ser durante a gravidez. Alguns podem-se fazer, mas não se devem. Contudo, a higiene oral tem total segurança”, afirma a especialista.

Com a pandemia da COVID-19, a médica dentista sentiu que foram muitos os portugueses que descuraram as idas ao dentista, e por isso, surgiram mais problemas graves.

“Não temos todos os mesmos riscos porque também não temos todos as mesmas bactérias na boca e por isso a resposta ao desleixo também não é igual. Pacientes que tenham uma maior propensão para o desenvolvimento de doença periodontal, e que tenham ficado durante um ano e meio ou dois anos sem ir ao dentista, agora apareceram com mais perda de osso (que é a consequência mais grave da progressão da doença periodontal) e houve até quem perdesse dentes”, diz Mariana Nunes.

Relativamente aos cuidados a ter em casa, a médica dentista realça que qualquer pessoa deve lavar os dentes pelo menos duas vezes por dia e usar fio dentário diariamente.

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