A série que ninguém está a ver. “Fariña” é para quem já não pode ver “Narcos” à frente

Tem traficantes de droga, violência e lutas de poder. E tudo o que vai ver no ecrã é baseado numa história real. Está na Netflix e provavelmente foi uma das séries mais interessantes que lhe passou ao lado.

Para cada grande produção como “A Guerra dos Tronos”, há cinco ou mais séries que passam despercebidas e que não são conhecidas ao ponto de se tornarem assunto de conversa em jantares de amigos. “The Americans”, terminado em 2018 e considerado pela crítica como um dos melhores (e mais desconhecidos) títulos dos últimos anos, é só um exemplo.

Todas as semanas, a MAGG traz-lhe uma sugestão imperdível na nova rubrica “A série que ninguém está a ver”, com o objetivo de dar a conhecer algumas das produções com menos visibilidade — mas que merecem tantos ou mais elogios como outras populares.

Depois de  “Hinterland”, a nova sugestão é “Fariña”, a série galega que promete entreter todos aqueles que começaram por gostar de “Narcos”, mas que agora já não a podem ver a série à frente com tanta mudança na história. É que depois de Pablo Escobar, interpretado por Wagner Moura, a história que nunca foi incrível (mas que tinha carisma) foi perdendo a força. 

“Fariña” é uma produção do grupo Atresmedia, o mesmo responsável por “La Casa de Papel”, e passa-se na década de 80. Nesta altura, o setor da pesca sofre drásticas alterações e endivida muitos dos pescadores que dependiam do seu trabalho para garantir que as famílias tinham comida na mesa ao final do dia.

É essa a conjuntura que leva a que, para assegurar a sobrevivência, grande parte dos pescadores recorra ao contrabando de tabaco pelo mar fora — naquele que constitui um pequeno delito punível apenas com uma multa simbólica. E que em nada impede a atividade ilegal.

Só que com o sucesso do negócio e a influência que os pescadores passam a exercer em toda a região, formam uma aliança e tornam-se nos senhores mais poderosos do estuário de Ría de Arousa.

A mudança na história, que surge sempre que é necessário tornar a ação mais tensa e interessante, acontece quando os traficantes de tabaco veem a oportunidade de passar ao tráfico de substâncias pesadas, como cocaína ou haxixe, produzidas e transportadas pelos traficantes colombianas liderados por Pablo Escobar.

E enquanto uns decidem não agarrar a oportunidade, por temer penas de prisão elevadas ou até mesmo a extradição para os Estados Unidos, outros arriscam e tornam-se mais ricos e perigosos.

O resto já sabe como acaba: traições, lutas de poder, morte e sangue. Tudo isto com o objetivo de dominar um império sobre o mar que, a certa altura, chega a envolver Portugal. E se tudo o que leu até agora lhe parece uma boa narrativa de ficção, vai gostar de saber que toda a série é baseada em factos reais.

Tanto o é que algumas das figuras mais importantes da organização galega ficaram incomodadas com a forma como foram representadas na série através das suas personagens.

Por exemplo, o verdadeiro Laureano Oubiña, um dos traficantes, diz que as cenas de sexo serviram como forma de difamação e tiveram como único propósito atacar o seu caráter. Já Manuel Charlin, chefe de uma das organizações mais influentes da região, revelou que não agredia com tanta regularidade os filhos como era mostrado na série.

Mas o mais insólito de tudo isto é que quando Sito Miñanco, a figura central da história, foi preso, em fevereiro, as autoridades reportaram que o traficante se encontrava na posse do argumento original da série.

Ao jornal “El Español”, a produtora diz que nenhum membro da equipa terá facultado o documento e que ainda hoje não conseguem perceber como terá tido acesso aos detalhes das gravações.

Mas a verdade é que o tinha. Com que objetivo? Nunca o saberemos, até porque o código de silêncio a que estes mafiosos estão sujeitos os impede de revelar o que quer que seja sobre os seus esquemas. A primeira e única temporada de “Fariña”, que conta com dez episódios de cerca de 70 minutos cada, está inteiramente disponível na Netflix.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.
Scroll to Top