Das bolas de Francisco Menezes à vaca, os 10 momentos mais WOW da “Noite da Cristina”

São agora quatro as questões existenciais para as quais nunca iremos ter resposta. 1) Quem somos? 2) Para onde vamos? 3) De onde viemos? e 4) O que é que se passou na “Noite de Cristina”?.

O “Dia da Cristina” transitou para a noite, com um programa especial de Natal, transmitido em direito no sábado, 19 de dezembro. A narrativa era esta: Maria, interpretada por Maria Cerqueira Gomes, está muito grávida e prestes a dar à luz antecipadamente, uma vez que toda a gente sabe que a Jesus nasceu a 25 de dezembro. Mas o principal momento para a reunião era outro: o babyshower da criança, organizado por Cristina Ferreira, que aqui assume o papel de organizadora de eventos.

Assim, foram invadindo o estúdio — muito mascarado de Belém, com estábulo, palha, ovelhas e tudo mais —  todos os protagonistas da TVI (e outros, mas já lá vamos) que, sem guião, fizeram duas horas do programa mais aleatório de sempre.

Sim, é essa a palavra que melhor o descreve: aleatório. Desde a entrada da vaca, ao bailarino que dança porque-sim, ao panda ou às bolas de Francisco Menezes, reunimos os 10 momentos mais “o que é que foi isto?” de a “Noite de Cristina”.

1. A vaca Leonor

OK, comecemos com o momento mais desconcertante — tão desconcertante, que já está a rodar as redes sociais. A certo momento, logo no início, entra uma vaca enorme no estúdio — como se as ovelhas, coitadas, não fossem suficientemente exóticas para o show. “Quem é que se lembrou de trazer vaca?”, pergunta a Cristina. É uma excelente questão, mas temos em crer que foi ela que teve a ideia.

Com mil sinos agarrados ao seu pescoço, com dois grandes chifres, o mamífero de porte enorme entrou agitado, deu três voltas, assustou toda a gente, incluindo uma criança que estava em estúdio. Fiquei com pena do animal, chamem a Sociedade Protetora dos Animais. Fiquei com receio pela criança, chamem a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens.

2. As bolas do Anjo

aldo lima

Irrompe, a certa altura, um Anjo em estúdio, com uma máscara de protecção que apenas lhe tapa a boca e que a certo momento é descartada, porque não interessa para nada — provavelmente, esqueceu-se de a tirar antes de entrar.  Interpretado por Francisco Menezes — e com um alegado nome em latim tão difícil de pronunciar que mais vele nem mencionar — fez questão de, múltiplas vezes, mostrar as bolas de Natal que trouxe penduradas na zona das virilhas. Depois, interpreta, em cima de um tronco, o tema “Last Christmas”, porque, afinal, encerra em si um talento especial para a música. Cristina Ferreira acompanha-o, tem a letra na ponta da língua e, nesse momento, conseguimos ter um vislumbre da Diretora de Ficção e Entretenimento da TVI ensaiar em casa, frente ao espelho. Fez um bom trabalho.

3. O homem que entra aleatoriamente e dança

Não há muito mais que se possa dizer. É que é isto mesmo: um homem que, dezenas de vezes, entra aleatoriamente no estúdio para, durante cinco segundos, aplicar sempre o mesmo passo de dança, ao som de um qualquer reggaeton (será reggaeton?), em que se ouve a palavra “Jerusalema”. E, sempre, mas sempre, Cristina tenta acompanhá-lo, resistindo sem medos aos problemas de mobilidade que lhe são causados pelo seu vestido longo, justo e saltos altos. Ao longo desta noite especial (ou aleatória?), a coisa vai escalando. Já todos tentam: um homem da produção, os três Reis Magos, a Pipoca Mais Doce. Enfim, dez segundos sempre a bombar.

Mais tarde, vem-se a perceber que a coreografia é uma versão ligeiramente mais avançada do clássico esquema que se dançava nas Docas, no início do milénio. E que o trigger para o súbito aparecimento deste senhor é a palavra “Jerusalém”.

4. Rita Pereira, sempre tão extra

rita pereira

É comum falar-se no tom de voz de Cristina Ferreira, mas, não se enganem, Rita Pereira dá-lhe mil a zero na escala de intensidade. Extra, sempre super extra. Tão extra que, juro, não consigo perceber uma palavra do que diz. Enfim, entra, solta uns gritos, despe a gabardine e mostra o seu conjunto negro repleto de transparências — fica-lhe muito bem, atenção.  Depois, faz aquilo que ela mais gosta: dançar intensamente, sempre tão intensamente. Ao contrário dos outros bailarinos, de cara fechadíssima, ela não consegue esconder a sua felicidade. Ela está tão contente. Fico feliz por ela. E, pronto, é isto: 20 segundos intensos de Rita Pereira. Vai embora e nunca mais volta.

5. E o José?

Estamos a meio do programa e é nesta fase que a comichão latente começa a tornar-se mais evidente. A narrativa do programa inclui o cliché: “Será que o José, pai da criança, vem ou foi comprar tabaco para nunca mais voltar?”. Alimentando, portanto, esta narrativa de uma mulher coitadinha, tão prenha, e de um homem, filho da mãe, que a deixa de mãos a abanar, para ir para a má vida. Giro.

6. Romana, “Aleluia”

Diz Cristina que Romana andava desaparecida, mas reapareceu para marcar presença na “Noite de Cristina”. Milagre, “Aleluia”. Também ela celebrou o seu reaparecimento, mudando o registo musical e interpretando a canção de Leonard Cohen, “Hallelujah”.

7. O Panda

Mais uma entrada aleatória: um Panda gigante entrar no estúdio e desaparece em cinco segundos, literalmente. Porquê? Ninguém sabe. Nem a própria Cristina, diz ela.

8. A influencer

Fanny, na pele de influencer, invade o estúdio e, com uma conta de Instagram criada em nome de Jesus, tem um objetivo: chegar aos 50 mil seguidores. A sério: adorava ter estado na reunião de brainstorming para este programa.

9. Rúben Rua, Avé Maria

ruben rua

Mas o Rúben Rua também canta? Sabe a letra do “Avé Maria”? E tem uma banda? Cristina está em choque e eu também. Ai, calma: que o homem também fala italiano. Quem-é-Rúben-Rua?! Ok, é playback e os outros são só João Montez, do Querido Mudei a Casa, o Rúben Vieira, do Somos Portugal, e Santiago Lagoá, tiveram de me informar. Adiante. Todas estas questões sobre a potencial veia mais erudita de Rua são automaticamente interrompidas quando entra o homem que dança aleatoriamente. É que aí vemo-lo de regresso à sua versão original: soltando o seu verdadeiro eu, dando tudo, tudinho, naquele reggaeton doido.

10. José, finalmente

Ai, afinal não. É só um amigo, interpretado por Manuel Melo, informando que José testou positivo e que está em quarentena em Jerusalém. E o que é significa a palavra Jerusalém? Mais uma voltinha com o homem que dança.

E, pronto, é isto. O programa acabou. O menino não nasceu, José não foi comprar tabaco e os outros desapareceram. Aleatoriamente, como em tudo neste programa.

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